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sábado, outubro 10, 2026

Agro pede equilíbrio entre China e EUA após primeiro turno; investimentos são essenciais para exportações

Setor agro quer postura pragmática entre Pequim e Washington

Especialistas que participaram de um debate no Insper, em São Paulo, afirmam que o agronegócio brasileiro precisa de equilíbrio nas relações com China e Estados Unidos após o resultado do primeiro turno da eleição presidencial, quando o senador Flávio Bolsonaro (PL) ficou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A avaliação foi exposta por especialistas que acompanham a política externa da China e o setor agrícola.

Larissa Wachholz, que coordenou o Programa Ásia no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e foi assessora especial do Ministério da Agricultura entre 2019 e 2021, disse que Pequim observa com cautela a América Latina e analisa onde seus investimentos e relações comerciais são bem recebidos. A especialista ressaltou que essa prudência aumentou desde o primeiro mandato de Donald Trump e ficou mais acentuada no segundo.

Wachholz destacou que documentos internos dos Estados Unidos deixam claro o interesse norte-americano em manter influência na região, o que faz com que a China evite se envolver em locais de confronto. Segundo ela, os aportes chineses só avançam quando há sentido econômico e estabilidade jurídica.

Para o agronegócio, os recursos vindos da China têm sido importantes para superar gargalos logísticos e reduzir custos, tornando os produtos brasileiros mais competitivos. Como exemplo, a especialista citou investimentos em infraestrutura necessária para o transporte de carnes, como contêineres refrigerados e terminais portuários adequados.

Empresas chinesas já participam de projetos relevantes: a Cofco detém participação no terminal STS11, no Porto de Santos (SP), e a TCP, controlada pela China Merchants Port, concluiu em 2024 ampliação em Paranaguá (PR) para suportar mais tomadas para contêineres refrigerados, ampliando a capacidade de armazenagem e manutenção de temperatura até o embarque.

Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), afirmou que a atividade não é pautada por alinhamentos ideológicos, usando a expressão de que “frango não tem partido nem ideologia”, e ressaltou a importância de preservar as relações comerciais, dado o papel do Brasil no abastecimento global. Santin afirmou ainda que não espera impacto nas exportações de carnes para a China em razão do resultado eleitoral.

Marcos Jank, coordenador do Insper Agro Global, acrescentou que a política comercial dos Estados Unidos sob Trump, com tarifas impostas a outros países, complicou o ambiente internacional e, por isso, o Brasil precisa manter bom relacionamento com ambas as potências. Segundo dados do Ministério da Agricultura, a China é o maior comprador de produtos agropecuários brasileiros, seguida pela União Europeia e pelos Estados Unidos.

O agronegócio representa 35% do PIB do Brasil e abastece cerca de 170 países, conforme ressaltaram os participantes do debate.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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