Quem e o que: A 18 dias do segundo turno das eleições, os candidatos Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva reformularam suas táticas. Flávio intensificou articulações políticas e detalhou propostas de mudança constitucional; Lula passou a concentrar esforços na comunicação digital e na mobilização de jovens parlamentares eleitos.
Quando e onde: Na quarta-feira (4), Flávio se reuniu em Brasília com integrantes da Federação União Progressista — formada por União Brasil e PP — e com candidatos eleitos pelo PL. Na terça-feira (6), esteve em Goiânia, onde recebeu apoio público do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD).
Alianças e apoios: Flávio também contabilizou manifestações de apoio do governador Romeu Zema (Novo) e de políticos da bancada ruralista, além do reforço formal do PP e da União Brasil à sua candidatura. A nova etapa da disputa deve envolver acordos estaduais articulados por deputados e senadores eleitos, com parte das lideranças mantendo estruturas de campanha individuais do primeiro turno para ampliar o apoio ao PL.
Propostas e mudanças constitucionais: Em Goiânia, Flávio afirmou que pretende aproveitar uma eventual maioria no Congresso e no Senado para promover alterações na Constituição com a justificativa de “democratizar o país”. Ao ser questionado, esclareceu que se referia a medidas que dependeriam de emendas ou propostas de emenda à Constituição.
Entre os pontos defendidos estão reformas no Judiciário, inclusive no Supremo Tribunal Federal, com mudanças nas regras para decisões monocráticas dos ministros; a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos — mudança que implicaria revisão do artigo 228 da Constituição e, portanto, exigiria aprovação de uma PEC —; e o fim da reeleição, cuja abrangência e duração de mandatos caberiam ao Congresso definir. Flávio também citou a castração química para estupradores como pauta.
Para aprovar emendas constitucionais, são necessários 308 votos na Câmara e 49 no Senado em dois turnos. O PL elegeu 121 deputados e 28 senadores, número insuficiente para aprovar PECs sem apoio de outras siglas.
Estratégia de Lula: Após ficar em segundo lugar no primeiro turno, Lula revisou a comunicação e nesta quarta se reuniu com deputados eleitos influentes no ambiente digital, entre eles Ana Elisa e Pedro Rousseff (PT) e Érika Hilton, Sâmia Bomfim e Jones Manoel (Psol). A campanha adotará um tom mais combativo em temas de apelo popular, como o debate sobre o fim da escala 6×1, tema defendido por senadores da base que passaram a associar Flávio a posições contrárias à jornada.
A equipe de Lula mira também os 33 milhões de eleitores que não votaram no primeiro turno, buscando ampliar a mensagem para além da base petista. A mobilização inclui distribuição de materiais em grupos de WhatsApp ligados à esquerda e o impulsionamento de conteúdo nas redes sociais, com investimento informado pelo PT de R$ 13 milhões.
Foi lançada a plataforma “Bora Lula! Bora Brasil!” para aglutinar sugestões e materiais de apoiadores. Segundo o PT, o canal de WhatsApp da legenda tem cerca de 100 mil inscritos; o perfil de Lula no Instagram teria alcançado mais de 2,2 bilhões de visualizações nos últimos 30 dias, e as contas do partido no Instagram e no TikTok somaram mais de 575 milhões de visualizações no mesmo período.
As movimentações marcam a transição das campanhas para a segunda etapa da disputa, com foco em costura política e em estratégias digitais diferenciadas pelas duas candidaturas.
Com informações de Uberlandianofoco




