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sábado, outubro 10, 2026

Três incêndios atingem prédios da UFPE em oito dias; causas seguem sob investigação

A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) registrou três incêndios entre 30 de setembro e 7 de outubro em prédios da Cidade Universitária, no Recife. Não houve feridos em nenhuma das três ocorrências, mas houve danos materiais e perda de pesquisas, segundo a instituição.

Apuração e medidas adotadas

Em entrevista coletiva na quinta-feira (8/10), o reitor Alfredo Gomes informou que a universidade acionou a Polícia Federal para investigar os incêndios e que a Advocacia-Geral da União (AGU) determinou a criação de uma comissão de procuradores para acompanhar as investigações. O reitor acrescentou que aguarda o resultado da perícia para esclarecer as causas.

O ministro da Educação, Leonardo Barchini, programou visita à UFPE na tarde de quinta-feira (8/10) para acompanhar de perto a situação, segundo comunicado da universidade.

30 de setembro: laboratório de Física

O primeiro incêndio ocorreu na tarde de 30 de setembro em um laboratório do Departamento de Física, no Centro de Ciências Exatas e da Natureza (CCEN). A UFPE informou que a hipótese inicial é de que o fogo tenha começado em um forno mufla durante a manipulação de um produto químico por volta das 13h30. Funcionários tentaram conter as chamas com extintores, sem sucesso, e o Corpo de Bombeiros atuou no local.

A área foi isolada devido à fumaça e à presença de diversas substâncias. Houve danos à tubulação e a energia elétrica foi desligada para avaliação estrutural. A universidade afirmou que o laboratório foi perdido e que o levantamento dos prejuízos está em andamento. A hipótese do forno mufla foi apresentada como suspeita inicial, não como conclusão definitiva.

4 de outubro: Centro de Biociências

Cinco dias depois, em 4 de outubro, um novo fogo atingiu parte do Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências da UFPE. Não houve vítimas, mas foram registrados danos materiais. A universidade não divulgou causas que relacionem este episódio ao incêndio do Departamento de Física.

O laboratório desenvolve trabalhos em citogenética vegetal, genética de populações, filogeografia, evolução de plantas, análises moleculares, sequenciamento de DNA e citometria de fluxo.

7 de outubro: incêndio de maior gravidade

O terceiro e mais grave incêndio começou por volta das 20h de 7 de outubro em um prédio adaptado para abrigar laboratórios, nas proximidades da Casa do Estudante. As chamas foram controladas no fim da noite com o apoio de cinco viaturas do Corpo de Bombeiros. A UFPE informou que o fogo se espalhou rapidamente devido aos tipos de produtos armazenados no local.

O edifício, que já abrigou o antigo restaurante universitário, foi transformado para receber laboratórios voltados a fármacos, genética, inovação terapêutica e informática, com trabalhos relacionados a câncer, obesidade, covid-19, TDAH e autismo. No térreo havia dois laboratórios de nível de biossegurança 3 (NB3) e outras dependências.

Segundo o reitor Alfredo Gomes, os laboratórios do primeiro andar perderam “absolutamente tudo” e o prejuízo estimado com equipamentos, insumos e materiais nesse andar é de cerca de R$ 100 milhões. O impacto no térreo, incluindo os laboratórios NB3, ainda não foi avaliado, e as perdas decorrentes dos dois incêndios anteriores continuam em levantamento. Gomes afirmou que cerca de 80 dissertações de mestrado e teses de doutorado estavam sendo desenvolvidas no local e que haviam dados referentes a 20 anos de pesquisa.

Suspeita de ação criminosa e investigações

A proximidade temporal entre os episódios motivou atenção sobre uma possível conexão. O deputado federal Jones Manoel (PSOL) relatou que estudantes tinham recebido mensagens de ameaça antes do incêndio e defendeu investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. A UFPE e as autoridades não confirmaram a autenticidade das mensagens nem uma relação direta entre as mensagens e o incêndio.

Até o momento não há confirmação de que os incêndios tenham sido criminosos nem de que exista ligação entre os três episódios; as causas continuam sob perícia e investigação oficial.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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