Quem: Thais Barbosa, mulher de 34 anos, e outros aprendizes que buscam certificação pelo Encceja.
O que: Thais deixou a vida de rua e o vício em crack, concluiu o ensino médio por meio do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) e agora procura emprego; o texto também relata o caso de Luiz Ferreira Filho Tarcha, de 57 anos, que se prepara para o mesmo exame.
Quando e onde: Thais saiu da escola pública aos 13 anos na zona norte do Rio de Janeiro e passou cerca de 12 anos vivendo nas ruas; obteve o certificado do ensino médio neste ano. Luiz, residente em Piancó (sertão da Paraíba), busca voltar aos estudos após décadas.
Como: Thais se inscreveu no Encceja para recuperar a certificação que deixou de obter na idade adequada. Inicialmente alcançou a pontuação necessária para o ensino fundamental, conseguiu trabalho como camareira e arrumadeira e, após duas tentativas frustradas na prova de matemática, estudou por vídeos no YouTube e foi aprovada no ensino médio neste ano. Luiz prepara-se para o exame para poder prestar vestibular e cursar Libras.
Por que: A educação foi utilizada como estratégia de estabilidade, inserção no mercado de trabalho e proteção familiar. Thais relata que, junto ao marido, traçou um plano centrado na qualificação profissional para garantir moradia e segurança para a família.
Thais interrompeu os estudos na pré-adolescência e, enquanto viveu nas ruas, foi vítima de violência. Ela e o marido mantiveram disciplina nas tentativas de obter a certificação pelo Encceja. Após conquistar o diploma do ensino médio, Thais busca uma oportunidade no mercado de trabalho, apesar de ter pouca experiência formal no currículo.
O relato destaca ainda Luiz, expulso de casa aos 14 anos e parado na sexta série, que agora, aos 57 anos, pretende concluir o ensino médio para iniciar faculdade de Libras. Ele lembra o constrangimento de não conseguir atender pessoas surdas enquanto trabalhava em Praia Grande e vê no curso superior uma forma de suprir essa lacuna.
O texto também menciona dados da Pnad Contínua do IBGE: em 2025, mais de 40% dos adultos com mais de 25 anos não haviam concluído a educação básica, e cerca de 30% não tinham terminado o ensino fundamental. Para os entrevistados, o Encceja representa um instrumento de reestruturação pessoal, permitindo obter certificação e abrir portas para empregos e estudos superiores.
No âmbito familiar, Thais aposta na educação do filho Lorenzo, de 8 anos, para evitar que ele enfrente dificuldades semelhantes; ele estuda inglês desde os 4 anos e iniciou aulas de natação recentemente, com apoio dos pais nas tarefas escolares.
A trajetória de Thais e o esforço de Luiz ilustram como a obtenção de certificados escolares por meio do Encceja pode ser parte de um plano de recuperação pessoal e profissional.
Com informações de G1




