Pesquisadores da Embrapa Instrumentação, da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Grenoble Alpes (UGA), na França, desenvolveram uma embalagem de papelão ondulado com ação antimicrobiana capaz de aumentar a durabilidade de morangos.
Testes mostraram morangos conservados por até 9 dias
Em experimentos realizados com 120 frutos da cultivar San Andreas, produzidos em Bom Repouso, no Sul de Minas Gerais, as bandejas de papelão ativo mantiveram os morangos por até nove dias quando armazenados a aproximadamente 10 °C. Na comparação com embalagens tradicionais, a tecnologia elevou o tempo de conservação de três para nove dias sob refrigeração.
Os resultados indicaram preservação de atributos sensoriais e físicos dos frutos, incluindo intensidade da cor vermelha, firmeza da polpa, acidez e níveis de sólidos solúveis. Em ensaios de laboratório, o material também inibiu o crescimento do fungo Rhizopus stolonifer, agente associado à podridão-mole que causa deterioração dos morangos.
Os pesquisadores relataram que o efeito antifúngico foi detectado mesmo após 14 dias de armazenamento do material em temperatura ambiente, apontando estabilidade da atividade antimicrobiana do papelão tratado.
Como funciona a nova embalagem
A solução adotada consiste em uma estrutura multicamada de papelão ondulado. O carvacrol, composto natural presente no orégano, foi incorporado à camada intermediária do material, enquanto diferentes tipos de papel revestem as superfícies interna e externa da embalagem.
O diferencial técnico é o controle da liberação do composto: o carvacrol é liberado gradualmente ao ambiente que envolve os frutos, mantendo a ação antimicrobiana durante o período de armazenamento e retardando o desenvolvimento de fungos responsáveis pela perda de qualidade.
Segundo o pós-doutorando Ramon Peres Brexó, integrante da equipe, a composição das camadas do papelão influencia a velocidade de liberação do carvacrol e, portanto, a duração do efeito antimicrobiano. A pesquisa foi conduzida ao longo de um ano na Embrapa Instrumentação, sob a liderança do pesquisador Marcos David Ferreira.
Por se tratar de um alimento altamente perecível, o morango costuma ter perdas significativas após a colheita devido ao desenvolvimento de fungos, danos no transporte e elevada atividade metabólica. Os autores apontam que a embalagem pode representar alternativa às embalagens plásticas tradicionais, com potencial para reduzir desperdício e ampliar o período de conservação durante armazenamento e transporte.
Os pesquisadores ressaltam que o estudo configura uma prova de conceito e que serão necessárias novas etapas de investigação para aprofundar o conhecimento sobre os mecanismos de liberação e difusão do carvacrol no papelão e para avaliar o potencial de aplicação da tecnologia em escala comercial.
Com informações de Paranaibamais




