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sábado, outubro 10, 2026

Governo da França oferece 3 mil professores substitutos em resposta a novos protestos estudantis

Governo promete 3 mil professores temporários e reage a onda de protestos

O governo francês anunciou a mobilização de 3.000 professores substitutos nos próximos dias como primeira resposta concreta às manifestações estudantis que ocorrem há três semanas. A proposta foi detalhada pelo ministro da Educação, Édouard Geffray, em entrevista à televisão na noite de quinta-feira, 8/10.

Os protestos, marcados por atos em diversas cidades, registraram 71 mil manifestantes em todo o país na quinta-feira, segundo organizações sindicais, com cerca de 24 mil pessoas concentradas na Praça da Bastilha, em Paris. Desde o início do movimento, 6.877 pessoas foram detidas, e 86% dos detidos são menores de 18 anos.

Na sequência das manifestações, forças policiais empregaram gás lacrimogêneo para dispersar grupos que lançaram paralelepípedos e fogos de artifício caseiros contra agentes. Em Bordeaux, manifestantes saquearam um liceu, e em Marselha um vice-diretor foi agredido. Na sexta-feira, 9/10, aproximadamente 140 dos 3.500 liceus do país permaneciam total ou parcialmente fechados, número bem inferior ao verificado em dias anteriores. Uma nova jornada de protestos foi convocada para terça-feira, 13/10.

Segundo o ministro, o destaque dos 3.000 professores será possível por meio de um novo software disponibilizado pelo Ministério, que permitirá alocar temporários aos cerca de 500 liceus apontados como mais carentes. Geffray afirmou também que haverá mais recursos para um programa que remunera horas extras de docentes que preencham vagas temporárias, e que as reivindicações estudantis serão consideradas nas discussões do orçamento de 2027.

Apesar das medidas, o governo não apresentou promessas de investimentos em larga escala que pudessem atender às demandas mais amplas dos manifestantes. Autoridades manifestaram preocupação em não dar a impressão de que o Executivo estaria comprando a paz social, num momento em que a situação da dívida francesa é monitorada pelos mercados financeiros.

Representantes estudantis reagiram com cautela. Nathanaël Combary, do movimento Renouveau Lycéen, disse que os estudantes aguardam a implementação prática das medidas anunciadas. Sabrine Kharbach, da União dos Estudantes, afirmou que as mobilizações continuarão enquanto não houver uma proposta de 10 bilhões de euros sobre a mesa; a entidade tem ligação com o partido France Insoumise.

O líder do France Insoumise, Jean-Luc Mélenchon, elogiou as mobilizações nas redes sociais, afirmando que os estudantes reconquistaram a Bastilha. Por outro lado, o deputado do Rassemblement National, Laurent Jacobelli, criticou as concessões, dizendo que as ações governamentais poderiam dar a impressão de recompensa a atos violentos.

Analistas políticos consideram o movimento o mais sério entre estudantes na França em anos, em um contexto de tensões ampliadas pelo aumento dos preços dos combustíveis, dificuldades no setor agrícola e a proximidade das eleições presidenciais previstas para abril e maio. O governo aposta que os feriados de meio de semestre, no final da próxima semana, e a chegada de tempo mais frio e úmido possam enfraquecer as mobilizações.

O cronograma do movimento inclui ainda o sábado, 17 de outubro, marcado para manifestações que lembram a mobilização dos “coletes amarelos” de 2018, quando o governo chegou a suspender um aumento de impostos sobre combustíveis após protestos e tumultos.

As autoridades afirmam que a medida de destacar 3.000 professores deverá priorizar liceus em áreas com maior carência de docentes, muitas vezes localizados em subúrbios metropolitanos com elevado percentual de imigrantes.

O desfecho das negociações e a eficácia das medidas anunciadas serão observados nas próximas semanas, enquanto o movimento estudantil mantém a pressão nas ruas e nas escolas.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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