Tom Zé completa 90 anos mantendo a inquietude criativa
O músico Antônio José Santana Martins, conhecido como Tom Zé, completa 90 anos ativo na criação musical e em projetos expositivos. Nascido em 11 de outubro de 1936, em Irará, no sertão baiano, ele transformou elementos do cotidiano em composições, exemplificadas por letras que reproduzem anúncios de segurança, como em “Aviso aos Passageiros”.
Em São Paulo, a trajetória de Tom Zé é tema da mostra gratuita “Tom Zé – 90 anos do Inquieto Jardineiro de Sons”, em cartaz na Caixa Cultural até 13 de dezembro. Na exposição, o artista comenta práticas que o mantêm compondo e apresentando shows: rotinas matinais com exercícios de origem oriental, aprendidos em São Paulo, voltados a diferentes funções do corpo.
Formado em música, Tom Zé passou em primeiro lugar no vestibular da Escola de Música de Salvador. Ainda na capital baiana, estabeleceu relacionamento com artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Gal Costa. Mudando-se para São Paulo, integrou o movimento tropicalista e participou do álbum coletivo “Tropicália ou Panis et Circencis”, lançado em 1968.
No mesmo ano de 1968, lançou seu disco de estreia, “Grande Liquidação”, e venceu o 4º Festival de Música Popular Brasileira com a canção “São, São Paulo”. A cidade de São Paulo também inspirou composições como “Augusta, Angélica e Consolação” e “A Briga do Edifício Itália com o Hilton Hotel”.
O trabalho de Tom Zé é reconhecido pela experimentação sonora: ele já utilizou uma enceradeira quebrada para produzir sons e criou o “buzinório” — instrumento formado pela conexão de várias buzinas — que integra a exposição na Caixa Cultural.
Para a curadora Neuseli Martins, Tom Zé é referência para diferentes gerações por manter-se ativo, gravando, criando e dialogando com pessoas de várias idades em busca de novas maneiras de descobrir e interpretar o mundo.
No fim da década de 1970, o músico aprofundou experimentações ao desconstruir canções a partir de fragmentos, o que o afastou da mídia até os anos 1980. A retomada da carreira ocorreu depois que o álbum “Estudando o Samba” chegou às mãos de David Byrne, ex-líder do Talking Heads, que passou a divulgar o trabalho de Tom Zé no exterior, levando a nova fase de turnês e gravações na década de 1990.
Em termos de lançamentos recentes, o último álbum de estúdio do artista é “Língua Brasileira”, de 2022. Em 9 de outubro foi divulgado um álbum ao vivo registrado durante um show no Sesc há 30 anos, e em agosto saiu a faixa inédita “Futuro Fruto”, parceria de Tom Zé com Marcelo Segreto e Loretta, músicos de gerações distintas.
O conjunto da obra e os projetos atuais reforçam a imagem de um artista que segue em atividade, experimentando sonoridades e participando de iniciativas culturais mesmo aos 90 anos.
Com informações de Uberlandianofoco




