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quarta-feira, outubro 14, 2026

O que cinco redações nota mil do Enem tiveram em comum, a um mês da prova de 2026

Falta menos de um mês para o primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, marcado para 8 de novembro. O g1 selecionou aleatoriamente cinco redações que obtiveram nota mil nas edições de 2021 a 2025 e solicitou análise a duas professoras para identificar características recorrentes nesses textos e indicar como as estratégias podem ser aplicadas por candidatos na reta final.

As análises foram feitas por Monika Santos, professora de redação da Escola SEB Unimaster, que examinou os textos de 2021, 2022 e 2023, e por Daphne Macêdo, revisora de avaliações do SAS Educação, responsável pelas redações de 2024 e 2025. Os textos avaliados são: 2021 — Fernanda Quaresma (tema: “Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil”); 2022 — Carina Moura (tema: “Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil”); 2023 — Matheus Almeida Barros (tema: “Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil”); 2024 — Rafael Santana Assunção (tema: “Desafios para a valorização da herança africana no Brasil”); 2025 — Caio Silva Braga (tema: “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”).

Repertórios culturais

As professoras observaram que as redações incorporam livros, filmes, músicas, acontecimentos históricos e conceitos de pensadores, mas não se limitam à citação: cada referência é explicada e conectada ao problema tratado. Exemplos citados nas análises incluem Vidas Secas, de Graciliano Ramos, usado por Fernanda Quaresma (2021); referências ao Romantismo brasileiro, Boaventura de Sousa Santos e Sueli Carneiro em 2022; Brasil, país do futuro, de Stefan Zweig, além de Gilberto Dimenstein e Slavoj Žižek em 2023; o álbum Duas Cidades, da BaianaSystem, em 2024; e o livro O Karaíba, de Daniel Munduruku, a Lei dos Sexagenários e o filme Vitória, estrelado por Fernanda Montenegro, em 2025.

Coerência e coesão

As cinco redações analisadas apresentam sequência argumentativa clara: introdução que apresenta o problema e parágrafos de desenvolvimento que tratam aspectos específicos. Monika Santos aponta predominância do método dedutivo — afirmação geral seguida de exemplificação — e um padrão em que cada parágrafo começa pela ideia central, introduz um repertório, explica sua relação com o tema e expõe consequências. O uso de conectivos para explicitar relações entre as partes do raciocínio também foi destacado.

Conclusão e proposta de intervenção

A conclusão das redações nota mil retoma os problemas discutidos e apresenta propostas de intervenção com os elementos exigidos pela Cartilha do Participante do Enem: agente, ação, modo ou meio, efeito ou finalidade e detalhamento, respeitando os direitos humanos. Em exemplos citados, Matheus (2023) propõe fiscalização da aplicação de leis e investimentos em educação; Fernanda (2021) sugere que o governo federal, via Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (denominação da época), amplie o acesso ao registro civil por meio de um projeto nacional articulado com gestores municipais e campanhas de conscientização; Carina (2022) propõe ampliação de recursos para fiscalização e preservação dos territórios e costumes, com um projeto nacional que inclua palestras e debates; Caio (2025) indica o Ministério da Educação como agente de ações de capacitação e autonomia para idosos, citando projeto de inclusão digital da UFPE; Rafael (2024) propõe estímulo a iniciativas educacionais sobre a herança africana pelo Poder Executivo e elaboração de política nacional de ensino pelo Poder Legislativo, com investimento público e aulas multidisciplinares.

O que essas redações ensinam

Segundo as professoras, a nota máxima não decorre de uma fórmula pronta nem de um repertório específico, mas da forma como o candidato seleciona e articula repertórios, desenvolve argumentos de forma lógica e elabora propostas de intervenção coerentes com a discussão. Também foi alertado o risco do “repertório de bolso” — referências decoradas e usadas de modo genérico que não se conectam ao tema — e ressaltada a importância de treinar a aplicação de repertórios a diferentes temas em vez de apenas memorizar citações.

Na reta final para o Enem 2026, as análises indicam que vale priorizar a construção de um ponto de vista claro, a explicação dos argumentos e a elaboração de uma proposta de intervenção completa, com atenção aos elementos recomendados pela Cartilha do Participante.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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