Uberaba, 15 de outubro de 2026 — A negociação para a transferência de 90% das ações da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Uberaba Sport Club avançou para um novo capítulo nesta quinta-feira, 15 de outubro, com a divulgação de uma manifestação formal pela Legado Gestão Desportiva e Participações. O documento, assinado por Públio Emílio Rocha e datado de 12 de outubro de 2026, foi encaminhado ao presidente do Conselho Deliberativo, Thiago Árabe Castejon.
A nota da Legado informa que três objetivos nortearam a manifestação: registrar os pontos de convergência já alcançados, solicitar que o Conselho Deliberativo passe a coordenar institucionalmente as negociações e dar transparência ao torcedor sobre o andamento do processo.
Segundo a empresa, a proposta original envolve a aquisição de 90% da SAF, mantendo 10% vinculados ao clube associativo, aportes de R$ 1,5 milhão por ano durante dez anos (total de R$ 15 milhões) e investimentos estimados em R$ 10 milhões para implantar um centro de treinamento nos primeiros cinco anos.
Em documento anexo, a Legado relata que, em reunião no Centro de Treinamento do Uberaba Sport Club em 7 de outubro de 2026, as partes alcançaram aproximadamente 90% de convergência. A principal discordância remanescente trata do tratamento de dívidas de curto prazo estimadas em cerca de R$ 500.000, que, conforme apresentado pelos representantes da Associação, teriam sido contraídas por dirigentes em nome próprio e cobradas por credores particulares.
A Legado afirma reconhecer a urgência dessas obrigações, mas condiciona qualquer assunção de pagamento à análise técnica e documental individualizada. A empresa comprometeu-se a tratar valores devidamente comprovados em até 60 dias, desde que observados os limites da proposta final, a matriz de passivos e a aprovação pelos órgãos competentes do USC e da SAF.
No documento, a Legado também reclama que, em 9 de outubro de 2026, recebeu um documento subscrito apenas por Rodrigo Alcino que teria desconsiderado pontos antes acordados, gerando dúvidas sobre a autoridade e representatividade daquele instrumento. A empresa afirmou que não aceitará pagamentos “por fora”, sem identificação de credores, comprovação de origem ou aprovação colegiada.
A manifestação ainda destaca dados sobre o endividamento do clube: segundo informações recebidas pela Legado, a dívida do USC teria crescido de aproximadamente R$ 1.500.000 para cerca de R$ 2.000.000 em menos de um ano, aumento superior a 33% e incluindo obrigações com credores particulares.
Em razão de alegado conflito de interesses envolvendo Rodrigo Alcino e eventual relação profissional com Eduardo Cunha, a Legado informou que não continuará negociações conduzidas por Alcino. A partir de então, pediu que a interlocução ocorra diretamente com o presidente do Conselho Deliberativo, com órgão formalmente designado pelo Conselho ou com comissão constituída e comunicada à Legado.
O documento solicita ao presidente do Conselho Deliberativo que:
1. comunique formalmente os conselheiros sobre a manifestação;
2. informe ao Conselho o teor das tratativas até 7 de outubro e o aceite dos valores e condições;
3. esclareça a natureza e alcance do documento de 9 de outubro;
4. disponibilize informações relevantes aos conselheiros, respeitados sigilos legais;
5. conduza ou designe formalmente a interlocução institucional com a Legado;
6. esclareça existência de proposta alternativa, inclusive eventual proposta vinculada a Eduardo Cunha;
7. determine que os passivos sejam documentados, reconciliados e submetidos à aprovação dos órgãos competentes;
8. informe a torcida e à comunidade colorada, de modo responsável, o estágio real da negociação e os próximos passos.
A Legado afirma estar disponível para prestar esclarecimentos, participar de reunião com o Conselho e reiniciar as negociações desde que a interlocução seja institucional, transparente e com autoridade formal reconhecida. A empresa advertiu que não aceitará retomar negociações paralelas, incluir dívidas não documentadas ou efetuar pagamentos sem aprovação colegiada. Caso o Conselho não decida prosseguir, a Legado considera a negociação encerrada, preservando direitos relativos à confidencialidade e às informações já fornecidas.
O documento foi assinado pela LEGADO GESTÃO DESPORTIVA E PARTICIPAÇÕES e por Publio Emilio Rocha, sócio-administrador.
Com informações de Setenosesportes




