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terça-feira, outubro 20, 2026

Cresce número de graduações em inteligência artificial no Brasil; veja o que se estuda e onde trabalhar

Expansão dos cursos e marco histórico

O Brasil contabiliza 76 graduações em inteligência artificial (IA), conforme levantamento divulgado na última semana pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Desses programas, 44% são ofertados por instituições públicas e 85,5% funcionam na modalidade presencial. Um marco simbólico para a área foi a formatura de Heloisy Rodrigues em 2023: ela é apontada como a primeira mulher a se formar em IA em uma universidade pública brasileira, pela Universidade Federal de Goiás (UFG).

Fatores que impulsionam a procura

A perspectiva de colocação profissional e salários atrativos contribui para o aumento das inscrições. Pesquisa do LinkedIn em 2026 cita remunerações que podem alcançar R$ 32 mil para profissionais da área. No processo seletivo do Sisu 2026, a nota de corte para a graduação em IA na UFG foi de 846,72 pontos na ampla concorrência — a mais alta do campus, acima da exigida para medicina.

O que se estuda na graduação

Os cursos de bacharelado em IA são estruturados para formar profissionais capazes de criar sistemas inteligentes, não apenas operá-los. A base curricular costuma reunir disciplinas de matemática e lógica (cálculo, álgebra linear, estatística e probabilidade), fundamentos de computação e dados (programação, algoritmos, estruturas de dados, modelagem e engenharia de dados), e componentes específicos de IA, como machine learning, deep learning, redes neurais, processamento de linguagem natural, visão computacional, engenharia de prompt, inteligência generativa e robótica.

Ética, humanidades e prática de mercado

Além dos componentes técnicos, os cursos incluem formação em ética e legislação, estudos sobre impactos socioeconômicos e psicológicos das tecnologias, e desenvolvimento de soft skills — liderança, gestão de equipes e comunicação. Disciplinas ligadas ao empreendedorismo, gestão de negócios e inteligência de mercado também são comuns para aproximar a formação das demandas reais do mercado.

Distinções entre graduações

Especialistas destacam diferenciações claras entre bacharelado em IA, ciência da computação e tecnólogo. Segundo professores e pesquisadores, o bacharelado aprofunda fundamentos teóricos necessários para conceber novas tecnologias, enquanto cursos generalistas como engenharia da computação ou sistemas de informação são mais amplos. Tecnólogos, com duração entre dois e três anos, têm perfil mais prático e voltado ao uso imediato de ferramentas; o bacharelado, com quatro a cinco anos, privilegia uma formação fundacional e duradoura.

Perfil do estudante e mercado de trabalho

O curso exige afinidade com matemática e raciocínio lógico — cálculo, álgebra linear e matrizes são citados como essenciais —, mas também demanda competências interdisciplinares. Universidades apontam que bons profissionais combinam conhecimento técnico com capacidade de atuar em equipes, avaliar impactos éticos e propor soluções de mercado. O mercado é descrito como muito aquecido, com atuação possível em saúde, cidades inteligentes, governo digital, automação corporativa e outras áreas; profissionais formados podem ainda atuar para empresas estrangeiras e receber em dólar.

Custos e oferta

Em instituições privadas, valores de mensalidade variam; exemplos citados incluem IBMEC-SP (R$ 5.700), Instituto Mauá de Tecnologia (R$ 3.950) e PUC-SP (R$ 2.800). Entre as universidades públicas que oferecem graduação em IA estão: Universidade Federal de Alagoas (UFAL); Universidade do Estado do Amazonas (UEA); Universidade Federal do Ceará (UFC); Universidade de Brasília (UnB); Universidade Federal de Goiás (UFG) e outras unidades federais como UFJ, UFCAT, UFMA, Unifei (campus Itabira), UFOP, UFU, UFLA, UFMS, UFPA, UFPB, UEL, UFPR, UFF, UFRN, UFS e Univesp, além da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O crescimento das ofertas formais reflete a aposta acadêmica e do mercado na formação de profissionais capazes de desenvolver e governar tecnologias de inteligência artificial, combinando fundamentos matemáticos, computacionais e discussões éticas.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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