Transexual denuncia prisão, cobrança e agressões em casa de prostituição
Uma mulher transexual registrou denúncia na delegacia de Guará, em São Paulo, afirmando que foi mantida em cárcere privado e submetida a extorsão e atos de transfobia em um imóvel situado na Avenida Deputado José Marcus Cherem, em Uberaba. Conforme o boletim de ocorrência, o período em que ficou retida vai de 2 a 6 de outubro.
Segundo o relato entregue à Polícia Civil, a vítima chegou a Uberaba para trabalhar com prostituição e inicialmente convivia normalmente com as demais pessoas no endereço. Com o passar dos dias, a responsável pelo imóvel teria começado a exigir pagamentos que, na avaliação da denunciante, eram injustificados.
Entre as cobranças apontadas está uma taxa de R$ 600 atribuída ao conserto de um objeto que, de acordo com a vítima, não apresentava avaria. Ao recusar desembolsar o valor, a mulher relata que a suspeita chutou a porta do quarto, proferiu ofensas e recolheu seus documentos pessoais e o telefone celular.
A vítima afirmou ter sido trancada em um cômodo cuja porta de correr foi fechada com uma corrente, permanecendo por quatro dias sem acesso adequado a água, alimentação ou energia elétrica, além de ficar sob vigilância constante para impedir que fugisse.
O registro também aponta que outras mulheres que trabalhavam no mesmo imóvel relataram episódios parecidos, com isolamento e comportamento agressivo por parte da responsável quando as cobranças não eram quitadas.
Para escapar da situação, a vítima diz ter fingido consentimento às exigências e pedido de volta o celular, alegando que faria um PIX para a irmã. Com o aparelho em mãos, ela conseguiu contatar um cliente que estava em Uberaba com um caminhão e obteve uma carona até Ituverava (SP).
Ao desembarcar no interior paulista, a mulher disse ter caminhado pela Rodovia Anhanguera até Guará, onde procurou a delegacia por temor de retaliações e formalizou a denúncia. Ela passou a receber acompanhamento de uma assistente social do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e informou a intenção de se mudar para Ribeirão Preto (SP).
O caso segue em apuração pelas autoridades competentes.
Com informações de Uberlandianofoco




