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segunda-feira, outubro 26, 2026

Circuit breaker: entenda o mecanismo que suspende negociações quando a bolsa despenca

Circuit breaker interrompe pregão após forte queda do mercado

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gerou turbulência nos mercados financeiros nesta segunda-feira (26). Em reação ao movimento, a B3 acionou o chamado circuit breaker logo no início do pregão, com suspensão das negociações prevista por 30 minutos.

A bolsa informou que a paralisação afetou a compra e venda de ações, de fundos de investimento negociados em bolsa (ETFs) e de outros tipos de aplicações financeiras negociadas na B3. Segundo comunicado, a retomada das operações ocorreria por meio de um leilão entre 10h30 e 10h35.

Após o término da suspensão e a reabertura dos negócios, o Ibovespa registrava queda de 16,48% por volta das 11h32, aos 171.277 pontos. No mesmo horário, o dólar comercial subia 9,80%, cotado a R$ 5,4823.

Como funciona o mecanismo

O circuit breaker é um instrumento usado pela bolsa para interromper temporariamente as negociações quando há quedas bruscas no mercado de ações. A finalidade é oferecer tempo para que investidores reconsiderem decisões e evitar movimentos de venda desordenados.

Na prática, o mecanismo é acionado em níveis de queda do Ibovespa em relação ao fechamento do pregão anterior. Uma retração de 10% leva à paralisação de 30 minutos. Se, após essa suspensão, o índice continuar em queda e atingir 15%, as negociações podem ser interrompidas novamente por uma hora.

Houve ainda previsão para quedas mais graves: caso o Ibovespa chegue a uma baixa de 20% depois da parada de uma hora, a bolsa pode determinar nova suspensão, com duração a ser definida pela própria B3, que comunicará o mercado sobre a decisão.

O sistema não é aplicado nos últimos 30 minutos do pregão. Se o circuit breaker for acionado na penúltima meia hora de negociações, o horário pode ser estendido em até 30 minutos para assegurar ao menos meia hora de operações após a reabertura.

Histórico de acionamentos

O mecanismo foi instituído em 1997 e, desde então, foi acionado 23 vezes. Entre os episódios mais marcantes estão a crise asiática de 1997, quando o Ibovespa caiu 10,19%; a desvalorização do real em 1999, com queda de 10,29%; e a crise do subprime em 2008, que resultou em seis interrupções em menos de um mês.

Em 2020, no início da pandemia de Covid-19, o circuit breaker também foi acionado seis vezes em março. Outro episódio citado pela bolsa ocorreu em 18 de maio de 2017, quando as negociações foram suspensas por 30 minutos após o Ibovespa cair mais de 10% em decorrência de denúncias contra o então presidente Michel Temer.

Outros momentos históricos incluem a interrupção em 22 de outubro de 2008, quando a bolsa fechou em queda de 10,18% e, naquele mês, houve quatro paralisações de 30 minutos e uma de uma hora. Em 11 de setembro de 2001, por causa dos ataques às Torres Gêmeas, as negociações na Bovespa foram interrompidas sem o acionamento formal do circuit breaker, após queda de 9,17%, e só foram retomadas no dia seguinte.

Em 14 de janeiro de 1999, um dia antes da adoção do câmbio flutuante no país, o mecanismo foi acionado com suspensão de meia hora, e o índice recuou 9,33%. Em 1998, durante a crise russa, o circuit breaker foi utilizado cinco vezes; em 10 de setembro daquele ano as negociações pararam por uma hora e a bolsa encerrou o dia com queda de 15,82%.

O primeiro acionamento do circuito na bolsa brasileira ocorreu em 28 de outubro de 1997, após uma queda superior a 14% em meio à crise financeira asiática; o mecanismo voltou a ser utilizado mais duas vezes naquele ano.

Desde sua criação, o circuit breaker tem sido ferramenta para tentar reduzir o impacto de movimentos extremos e dar tempo de reação aos participantes do mercado.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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