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quinta-feira, outubro 29, 2026

Carne bovina se transforma em símbolo da inflação e de embate cultural nas eleições legislativas dos EUA

Washington, EUA — A elevação dos preços da carne bovina e a perda de poder de compra transformaram um item cotidiano em tema de campanha nas eleições legislativas americanas, que ocorrem em 3 de novembro. Candidatos dos dois principais partidos têm usado o custo dos alimentos para atacar adversários e demonstrar proximidade com eleitores rurais e com a cadeia de produção de carne.

No Texas, o democrata James Talarico tem respondido a críticas sobre uma decisão antiga de sua campanha de consumir apenas comidas veganas. Para rebater acusações de afastamento da cultura local e de postura antipecuária, Talarico passou a aparecer publicamente comendo churrasco, tentativa de reafirmar laços com tradições do estado e com o setor pecuário.

No Colorado, o debate ganhou caráter ainda mais identitário. O republicano Gabe Evans explorou o histórico do democrata Manny Rutinel — que já se vinculou a ações pela redução do consumo de carne, foi fotografado usando uma faixa da Peta e fundou, em 2021, a Climate Refarm — para questionar possíveis impactos de suas posições em políticas públicas. Rutinel chegou a assinar cartas defendendo aumento de impostos sobre carne e laticínios e apoiou uma proposta para impedir um abatedouro de cordeiros em Denver, medida rejeitada em votação em 2024. Para se contrapor às críticas, Rutinel tem aparecido comendo tacos de carne e recebeu o apoio do sindicato dos trabalhadores frigoríficos da região.

Grupos conservadores também difundiram materiais para explorar o tema no distrito, que abriga fazendas, unidades leiteiras e instalações de processamento, incluindo a sede da JBS Swift. A campanha contrária divulgou até gravações de bastidores sobre os hábitos alimentares do candidato, enquanto ele afirma que os eleitores se preocupam mais com o preço do alimento do que com o que está em seu prato.

Por trás das disputas políticas, há fatores econômicos concretos. Segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA, o preço médio da carne moída atingiu US$ 6,92 por libra em agosto, o maior valor nominal desde o início da série histórica em 1984; em setembro recuou para US$ 6,79 por libra, ainda 7,4% acima do registrado um ano antes. (1 libra equivale a 454 gramas.)

O aumento resulta da combinação entre oferta reduzida e demanda elevada: secas sucessivas levaram o rebanho bovino ao menor nível em 75 anos, limitando a disponibilidade de carne; como a recomposição do rebanho leva anos, a pressão sobre preços tende a persistir. Em agosto, o governo de Donald Trump suspendeu temporariamente tarifas sobre a importação de até 300 mil toneladas de carne bovina, direcionando cortes magros para venda a preços 25% inferiores aos de mercado. A medida teve impacto limitado para consumidores, segundo reportagem da NPR, e provocou reação de pecuaristas, que afirmam que a entrada de carne mais barata reduz preços do gado doméstico em momento de margens apertadas. Em setembro, o preço da carne moída caiu apenas US$ 0,13 por libra em relação a agosto.

A iniciativa do governo também foi criticada por integrantes do Partido Republicano, como a candidata ao Senado por Iowa Ashley Hinson, que defendeu apoio aos pecuaristas americanos para ampliar rebanhos como solução para os preços.

O tema da carne, portanto, assumiu papel duplo na corrida pelo Congresso: representa tanto uma queixa econômica concreta quanto um marcador cultural que candidatos usam para mostrar sintonia — ou distância — com comunidades rurais e com a indústria frigorífica.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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