Quem e o quê: O embaixador cubano no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, comemorou a aprovação pela Assembleia Geral da ONU de uma resolução contrária ao bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba há mais de seis décadas.
Quando e onde: A votação ocorreu na terça-feira, 29, na Assembleia Geral das Nações Unidas e terminou com 130 votos favoráveis, 17 contrários e 25 abstenções.
Detalhes da votação: Segundo Palomo, o resultado representa o menor número de apoios à resolução em 30 anos. Em votações anteriores, a proposta chegou a reunir mais de 190 votos a favor. Em 2024 apenas Estados Unidos e Israel votaram contra; neste ano, além desses dois países, rejeitaram a resolução Argentina, Bósnia, Colômbia, Costa Rica, Equador, Hungria, Lituânia, Marrocos, Macedônia do Norte, Paraguai, Eslovênia, Trindade e Tobago, Ucrânia, Emirados Árabes Unidos e República Tcheca.
Abstenções: O número de ausências na votação também cresceu — de apenas uma abstenção em 2024 para 25 neste ano — entre as quais estão Chile, Honduras, Guiana, Haiti, Jamaica e Peru, países latino-americanos que historicamente costumavam apoiar Cuba.
Posição de Cuba: Em entrevista dada em Brasília, Palomo classificou o bloqueio como ilegal segundo o direito internacional e destacou os efeitos da política norte-americana sobre a população cubana. O embaixador afirmou que mais de 1,5 mil crianças morreram no país por falta de medicamentos e por indisponibilidade de combustível para manter incubadoras destinadas a prematuros ou bebês de baixo peso.
Palomo também disse que, entre 2025 e 2026, a mortalidade infantil em Cuba teria dobrado, passando de 4,4 para 9,9 mortes a cada mil nascimentos, em meio ao recrudescimento das medidas adotadas desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025.
Efeitos das sanções: O embaixador citou sanções secundárias que afetam empresas de terceiros que comercializam com Cuba, elevando custos de produtos e atrasando entregas. Segundo ele, mais de 7 mil contêineres comprados pela ilha estão retidos em portos de diversas partes do mundo porque transportadoras receiam represálias dos Estados Unidos; algumas cargas chegam à Jamaica, mas não são entregues.
Palomo afirmou que os EUA impuseram, entre outras medidas, um bloqueio energético e ameaças a países que vendam petróleo a Cuba, o que teria deixado o país três meses sem combustível e gerado apagões em Havana que podem ultrapassar dez horas. As restrições também teriam reduzido voos internacionais, levado à saída de empresas hoteleiras estrangeiras e à retirada dos serviços da Visa, afetando o turismo — principal setor da economia cubana.
O embaixador mencionou ainda uma nova sanção aplicada pelo Departamento de Estado dos EUA, sob liderança do senador Marco Rubio, contra empresas de “tecnologias sensíveis”.
Medidas internas e resposta cubana: Como reação às dificuldades externas, Cuba promoveu uma reforma econômica para tentar mitigar os efeitos do bloqueio e incentivar a produção. Palomo afirmou que é cedo para avaliar plenamente os resultados, mas citou estudos internos que apontam para melhores condições de ampliar a produção. Ele também disse que o país acelera a transição para energia solar com apoio da China e redobra esforços para aumentar a produção de alimentos.
Além disso, a Justiça dos Estados Unidos decretou, neste mês, a prisão do ex-presidente cubano Raúl Castro.
O embaixador concluiu ressaltando que o bloqueio atinge não só Cuba, mas que, em sua avaliação, a política pode servir de precedente para ações semelhantes contra outros países no futuro.
Com informações de Uberlandianofoco




