23.6 C
Uberlândia
quinta-feira, outubro 29, 2026

Quando o câncer passa a comprometer a saúde do coração

Relação entre câncer e saúde cardiovascular

O envelhecimento populacional tem impulsionado a incidência de câncer no Brasil, o que, segundo o Instituto Nacional de Cardiologia (INC), também se reflete em maior ocorrência de problemas cardiovasculares entre pacientes oncológicos. A subespecialidade conhecida como Cardio-oncologia examina tanto os impactos do câncer sobre o coração quanto a influência de doenças cardiovasculares no surgimento de tumores.

Estudos apontam que fatores de risco comuns — tabagismo, sedentarismo, consumo excessivo de álcool e de alimentos ultraprocessados, obesidade e estresse — favorecem tanto o desenvolvimento de câncer quanto de enfermidades cardiovasculares. Além disso, muitos medicamentos utilizados no tratamento oncológico podem provocar cardiotoxicidade, com efeitos que variam em reversibilidade e em prazo de manifestação.

Alguns tumores podem ser cardíacos, enquanto outros localizados em estruturas vizinhas comprimem o coração pela proximidade, causando lesões por efeito mecânico. Pesquisas também investigam se doenças cardiovasculares pré-existentes, como a doença arterial coronariana — caracterizada pelo estreitamento das artérias coronárias por placas de gordura — aumentam o risco de desenvolver câncer.

Atuação do INC

O INC, órgão de referência do Ministério da Saúde em atenção cardiovascular e instituição voltada a ciência, tecnologia, ensino e inovação, tem ampliado sua atuação na Cardio-oncologia. A instituição realiza avaliações cardiológicas de pacientes oncológicos, oferece tratamentos que incluem reabilitação cardíaca e, em casos necessários, transplantes. O instituto realiza cirurgias em pacientes com tumores cardíacos e participa de procedimentos oncológicos que exigem circulação extracorpórea.

No campo acadêmico, o INC, em parceria com a Sociedade Brasileira de Cardiologia e o Instituto Nacional de Câncer (INCA), lançou em 2021 o primeiro programa de pós-graduação em Cardio-oncologia do país, que já formou três turmas. Também mantém uma residência médica pioneira na área, destinada a cardiologistas que buscam especialização.

A instituição desenvolve pesquisas e promove sessões clínicas conjuntas com o INCA para discussão de casos, além de participar de estudos multicêntricos nacionais e internacionais sobre a temática. Protocolos terapêuticos foram estabelecidos para avaliar o risco cardiovascular de pacientes com câncer e orientar estratégias de cardioproteção destinadas a prevenir ou reduzir complicações cardíacas decorrentes da doença ou de seus tratamentos.

Apesar da importância de oferecer tratamento oncológico integral que considere efeitos sobre o sistema cardiovascular, o INC destaca que a prevenção continua sendo a medida mais efetiva. Parar de fumar, praticar atividade física regularmente, manter alimentação equilibrada, controlar o peso, evitar consumo de bebidas alcoólicas e gerenciar o estresse são ações que ajudam a reduzir o risco tanto de doenças cardiovasculares — como hipertensão, colesterol alto, infarto e acidente vascular cerebral — quanto de diversos tipos de câncer.

Por Aurora Issa
Diretora do Instituto Nacional de Cardiologia

Com informações de Paranaibamais

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também