HORÁRIO: 11h11 (Brasília UTC-3)
O dólar operava em queda nesta terça-feira (17), em meio a atenções voltadas para os desdobramentos da guerra no Oriente Médio e seus efeitos sobre o mercado de petróleo. Por volta das 11h11, a moeda americana registrava recuo de 0,62%, cotada a R$ 5,1965. No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, subia 1,50%, alcançando 182.581 pontos.
O movimento nos mercados está ligado às incertezas sobre o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o escoamento de petróleo. A possibilidade de interrupções no tráfego marítimo fez os preços da commodity voltarem a subir após uma breve queda. Contudo, sinais de recuperação na passagem de navios pela região reduziram parte da pressão.
Autoridades da Casa Branca informaram que petroleiros começaram a transitar “aos poucos” pelo estreito, segundo o assessor econômico Kevin Hassett, após pedido do presidente dos EUA, Donald Trump, para o envio de navios militares em escoltas. O apelo norte-americano recebeu recusas de países como Alemanha, Itália, Espanha, Japão e Austrália, que afirmaram não participar da ação, alegando que o conflito não lhes cabe.
O resultado prático dessa movimentação para investidores foi maior segurança percebida no abastecimento, cenário que favoreceu aplicações em ativos mais arriscados e impulsionou a bolsa. Por volta das 11h30, o barril de Brent avançava 1,67%, a US$ 101,88, e o WTI subia 1,90%, a US$ 94,22, após altas que chegaram a superar 3% em pregões recentes.
No plano geopolítico, ataques à infraestrutura energética agravaram a pressão sobre o mercado global. Relatos apontaram para interrupção parcial de carregamentos no porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, após incêndio em terminal de exportação, e suspensão das operações no campo de gás Shah, situação que reduziu em mais da metade a produção de um dos maiores produtores da Opep.
Em outro front do conflito, Israel afirmou ter matado Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança do Irã, em um ataque em Teerã; a informação foi divulgada por autoridades israelenses e ainda não teve confirmação oficial do governo iraniano.
Na agenda econômica doméstica, a Fundação Getulio Vargas divulgou o IGP-10 de março, que mostrou queda de 0,24% no mês e retração de 2,53% em 12 meses. A FGV atribuiu o recuo principalmente a preços básicos no atacado, como alimentos e matérias-primas. Para consumidores, os preços ficaram praticamente estáveis, enquanto custos da construção seguiram em alta moderada.
Pesquisas eleitorais também chamaram atenção: levantamento Genial/Quaest indicou que 56% dos brasileiros já definiram o voto para presidente, e 43% ainda podem mudar de opção. O índice de decisão é maior entre eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), acima de 60%, enquanto apoiadores de Ratinho Júnior e Romeu Zema apresentam maior possibilidade de mudança. Homens e eleitores mais velhos mostram escolhas mais consolidadas; mulheres, jovens e eleitores do Sudeste estão mais indecisos.
No exterior, os índices futuros de Wall Street apontavam para abertura em alta — Dow Jones subia 0,61%, S&P 500 ganhava 0,60% e Nasdaq avançava 0,54% — impulsionados pela expectativa de apoio internacional à reabertura do Estreito de Ormuz. Na Ásia, mercados fecharam em sua maioria em baixa: Xangai caiu 0,9%, CSI300 recuou 0,7%, Hang Seng avançou 0,1% e Nikkei caiu 0,1%.
Outros pontos da agenda internacional incluíam dados de emprego e vendas de imóveis nos EUA, estoques semanais de petróleo e leilão de títulos do Tesouro de 20 anos; à noite, o Japão divulgaria sua balança comercial de fevereiro.
Indicadores acumulados mostravam: dólar com -1,60% na semana, +1,86% no mês e -4,72% no ano; Ibovespa com +1,25% na semana, -4,72% no mês e +11,64% no ano.
Com informações de G1




