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sábado, outubro 31, 2026

Embaixador de Cuba no Brasil diz que invasão dos EUA é risco real e afirma que ilha está preparada

O embaixador de Cuba no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, afirmou que seu país considera real a possibilidade de uma invasão por parte dos Estados Unidos e garantiu que a ilha está preparada para uma eventual agressão militar. Em entrevista à Agência Brasil, Palomo disse que o governo e a população não podem desconsiderar o que classificou como pretensões norte-americanas de invadir Cuba.

“O povo cubano se prepara hoje para uma invasão real dos EUA. O governo e o povo cubanos não podem ignorar as pretensões dos EUA de uma invasão a Cuba. Isso é real”, declarou o diplomata.

Palomo afirmou ainda que Havana tem feito apelos à comunidade internacional e à imprensa para que não aceitem uma eventual intervenção militar dos Estados Unidos. “Não é possível normalizar uma agressão militar contra Cuba”, afirmou.

Segundo o embaixador, a maioria dos cubanos defende a soberania do país e estaria disposta a combater uma intervenção externa. Ele ressaltou a tradição histórica de luta da ilha e a contínua preparação da população para esse tipo de confronto, elemento que, segundo ele, não pode ser ignorado por Washington.

O diplomata vinculou a preocupação ao agravamento das medidas americanas desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025. Entre as ações citadas estão novas sanções, um bloqueio energético que teria deixado Cuba três meses sem receber petróleo e ameaças a países que vendam combustível à ilha.

Palomo lembrou declarações públicas de Trump em que o presidente afirmou, em março, que teria a “honra de tomar Cuba” e, em outubro, que os EUA iriam “cuidar de Cuba” após lidar com o Irã, país atacado pelos Estados Unidos e por Israel em um conflito que se arrasta desde fevereiro. Em outra ocasião, Trump disse que seria possível “chegar a um acordo” com Cuba e afirmou: “Não acho que precisaremos das forças armadas”.

O embaixador relacionou o endurecimento das pressões aos efeitos econômicos sentidos na ilha: redução de voos, saída de redes hoteleiras estrangeiras e o afastamento da operadora de cartões Visa, impactos especialmente graves para o setor de turismo.

Em janeiro, a Casa Branca classificou Cuba como uma “ameaça incomum e extraordinária” aos Estados Unidos, acusando a ilha de abrigar adversários americanos e de foco em roubo de informações sensíveis. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, também aumentou o tom contra o governo de Miguel Díaz-Canel, prometendo medidas para iniciar um processo de mudança em Cuba.

Palomo criticou como “ridículas” as acusações contra a ilha, afirmando que um país pequeno e economicamente sufocado não representa risco à potência americana. Na avaliação do embaixador, uma invasão por parte de uma potência nuclear seria um genocídio, e a proximidade geográfica da ilha, a cerca de 90 milhas dos EUA, tornaria o conflito “complicado”, podendo afetar cubanos residentes nos Estados Unidos.

O embaixador também reconheceu problemas internos da ilha, mas afirmou que o bloqueio econômico imposto pelos EUA impede o desenvolvimento e que os cubanos têm o direito de resolver suas próprias questões sem o recurso à agressão militar.

Nas últimas semanas, o Departamento de Estado aplicou nova sanção a empresas de “tecnologias sensíveis” relacionadas a Cuba, e a Justiça norte-americana decretou, neste mês, a prisão do ex-presidente cubano Raúl Castro.

Com informações de Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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