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sábado, outubro 31, 2026

Chilli Beans pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 340 milhões em dívidas

Chilli Beans busca renegociação de R$ 340 milhões

A rede Chilli Beans, conhecida por vender óculos e relógios, entrou com um pedido de recuperação extrajudicial em 31 de outubro de 2026 para reestruturar cerca de R$ 340 milhões em dívidas com instituições bancárias. Segundo a companhia, o acordo em negociação com os principais credores prevê a extensão de prazos e novas condições de pagamento, além de um aporte de até R$ 50 milhões destinado a custear a reorganização das operações.

A empresa ressaltou que as obrigações com fornecedores, empregados e outros parceiros não foram incluídas no pacote de renegociação, que abrange exclusivamente os débitos financeiros com bancos.

Contexto: mais pedidos em 2026

A Chilli Beans é mais um nome em uma lista crescente de empresas que recorreram a mecanismos de recuperação neste ano. Entre os casos recentes estão o pedido de recuperação judicial do Grupo Gennius, controlador das marcas Habib’s, Ragazzo e Tendall, e o pedido de recuperação extrajudicial da petroquímica Braskem. Até agora, em 2026, foram registrados 13 pedidos combinados de recuperação judicial e extrajudicial.

Na prática, a recuperação judicial permite a renegociação das dívidas com supervisão judicial, enquanto a recuperação extrajudicial consiste em acordos diretos entre empresa e credores, ambos visando evitar a falência e manter as atividades.

Setores mais afetados e causas apontadas

Os pedidos de recuperação têm se concentrado em setores como varejo e consumo, mas também atingem saúde, indústria e energia. Especialistas consultados pelo veículo apontam causas comuns: juros elevados, endividamento acumulado desde a pandemia, dificuldade de acesso ao crédito e mudanças no comportamento dos consumidores. No varejo, margens estreitas e necessidade de capital de giro tornam empresas mais vulneráveis a choques de custo e consumo.

Também foi observado que o aumento da taxa básica de juros ao longo dos últimos anos elevou o custo das dívidas contraídas por diversas empresas no pós-pandemia, complicando o serviço do endividamento originalmente contraído para financiar expansão.

Principais casos citados

– Grupo Toky (Tok&Stok e Mobly): pedido de recuperação judicial para reorganizar cerca de R$ 1 bilhão em dívidas; a empresa havia fechado mais de 17 lojas e relatou caixa pressionado, com mais de 2 mil funcionários afetados por bloqueios de valores de vendas no cartão.

– St Marche (Grupo Hortus): recuperação judicial para renegociar R$ 574,3 milhões; a rede acertou venda ao grupo chileno Cencosud, operação sujeita à aprovação da Justiça e do Cade; a empresa tem 32 lojas em São Paulo.

– Oncoclínicas: pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras; a empresa afirmou que o atendimento a pacientes e as atividades diárias seguem normalmente; credores detentores de aproximadamente 37% das dívidas incluídas já aderiram ao plano.

– Alliança Saúde: recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de R$ 1,1 bilhão; mais de 83 credores haviam aderido, representando cerca de 54% das dívidas incluídas; parte significativa da proposta prevê conversão de dívida em participação societária.

– Marabraz: pedido de recuperação judicial para renegociar cerca de R$ 140 milhões; a empresa informou que as lojas continuam em operação e que pretende preservar empregos e relações comerciais.

– Casas Bahia: recuperação judicial para reorganizar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas; a reestruturação, iniciada em 2023, já resultou no fechamento de quase 300 lojas e demissão de cerca de 3 mil funcionários; no segundo trimestre a companhia teve prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões.

– Grupo Gennius (Habib’s, Ragazzo e Tendall): pedido de recuperação judicial para reorganizar R$ 265,2 milhões; o processo inclui 178 empresas e dois produtores rurais; o grupo mantém 119 lojas próprias do Habib’s, 26 do Ragazzo e seis unidades Tendall, e informou que as lojas próprias seguem em funcionamento, enquanto as franquias ficaram fora do processo.

O quadro de pedidos de recuperação em 2026 expõe pressões financeiras variadas entre setores e empresas, sem consenso sobre duração, mas com projeções de que o ambiente desafiador para negócios pode perdurar nos próximos anos.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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