Banco Central devolve depósitos bloqueados após intervenção no Ueno
O Banco Central do Paraguai (BCP) anunciou neste sábado (7 de novembro de 2026) a restituição de depósitos a 1.196.000 correntistas do Banco Ueno, cujos fundos haviam sido bloqueados depois do fechamento repentino da instituição. Segundo a autoridade monetária, o total devolvido corresponde a cerca de R$ 880 milhões.
A declaração foi feita em coletiva de imprensa no Palácio López, ao término de uma reunião emergencial que reuniu o presidente interino Pedro Alliana, ministros da Economia e Finanças e a diretoria do BCP. O governo afirmou ter mobilizado esforços para uma resposta rápida à crise e tranquilizar os poupadores afetados.
Os recursos utilizados saíram do Fundo de Garantia de Depósitos, reserva estratégica mantida pelo Banco Central para proteger depositantes em casos de intervenção ou quebra de bancos. A diretoria do BCP informou que continua avaliando medidas para atender clientes cujos saldos ultrapassaram o teto coberto pela garantia.
A crise também atingiu o Instituto de Seguridade Social (IPS). De acordo com o presidente do órgão, Derlis León, o pagamento mensal de aposentadorias previsto para 17 de novembro será realizado normalmente. Cerca de 32.000 beneficiários, de um total de 90.000, recebiam seus proventos por meio do Banco Ueno; procedimentos para transferir essas contas para oito instituições financeiras locais estão em fase final.
O episódio envolve o Ueno Bank, principal banco digital do Paraguai e maior emissor de cartões de crédito no país, que tem cerca de 3 milhões de clientes. O BCP havia intervenido na instituição, suspendendo o acesso aos depósitos após ajustes contábeis que reduziram o índice de solvência do banco para menos da metade do mínimo regulatório.
Em paralelo à intervenção, o Ministério Público abriu investigação criminal. Oito pessoas ligadas ao banco tiveram prisão decretada, e 27 indivíduos são alvo de apurações por suspeitas de fraude e estelionato. As autoridades também investigavam se o Ueno havia financiado, de forma indireta, a compra de uma carteira de ativos relacionada ao Grupo Vázquez, operação que o banco negou ter participado.
A crise teve desdobramentos políticos: Carlos Carvallo, que presidia o Banco Central e havia chefiado o Ueno até agosto de 2023, renunciou ao cargo na terça-feira, 3 de novembro de 2026. O então presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi alvo de processo de impeachment e destituído na sexta-feira, 6 de novembro de 2026; logo depois, teve prisão decretada por suposto envolvimento no escândalo.
Centrais bancárias e agências do Ueno enfrentaram protestos de clientes que encontraram as portas fechadas. O banco administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo valores do IPS e de outros fundos de previdência. Antes da intervenção, o governo anunciara um acordo com o Congresso para acelerar a votação que permitiria o uso do Fundo de Garantia de Depósitos para ressarcir os clientes.
Apesar da magnitude do caso, o Banco Central e o governo mantêm a avaliação de que a quebra do Ueno é um problema isolado e não configura risco sistêmico à economia paraguaia.
Com informações de G1




