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domingo, novembro 8, 2026

Enem 2026 traz redação sobre valorização do SUS; g1 publica texto-exemplo de professor Thiago Braga

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 adotou como tema de redação “A valorização do Sistema Único de Saúde (SUS) como direito universal”. Em atendimento ao g1, o professor Thiago Braga, do Colégio e Sistema pH, elaborou um texto-modelo que parte exclusivamente da frase temática, uma vez que os eventuais textos de apoio não haviam sido divulgados quando o exercício foi produzido.

No texto, Braga recorda o marco de 1986, quando a 8ª Conferência Nacional de Saúde aprovou o princípio de que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Ele destaca que, dois anos depois, essa ideia foi inserida no artigo 196 da Constituição, dando origem ao Sistema Único de Saúde, reconhecido como um dos maiores sistemas públicos e gratuitos do mundo.

O professor aponta que, quase quatro décadas após sua criação, o SUS permanece mais utilizado do que efetivamente reconhecido como direito universal. Grande parte da população ainda enxerga o sistema como alternativa para quem não pode pagar atendimento privado, e não como um direito compartilhado por toda a sociedade. Braga atribui essa discrepância à invisibilidade de ações cotidianas do SUS e a uma cultura que trata a saúde como mercadoria.

Como exemplo da invisibilidade, o texto cita campanhas de vacinação e atendimentos prestados por ambulâncias, que muitas vezes não são associados ao mesmo sistema responsável por filas em postos de saúde. Segundo Braga, a pandemia de covid-19 expôs essa dependência estrutural: leitos e vacinação dependeram de uma infraestrutura pública que já existia, mas cujo papel foi redescoberto apenas durante a crise — reconhecimento que, argumenta o autor, rapidamente se dissipou.

Braga também discute a naturalização da saúde como bem de consumo, ressaltando que planos privados se tornaram símbolo de mobilidade social, enquanto o atendimento público passou a significar falta de escolha. Ele evoca o geógrafo Milton Santos e sua obra O Espaço do Cidadão para ilustrar a substituição do cidadão pelo consumidor, fenômeno que fragiliza a defesa coletiva do SUS.

Para reverter esse quadro, o autor propõe medidas educativas e de comunicação: que o Ministério da Educação, em conjunto com o Ministério da Saúde, introduza no currículo da educação básica conteúdos sobre o direito à saúde e o funcionamento do SUS, usando materiais que permitam aos estudantes reconhecer as ações do sistema no dia a dia; e que o Ministério da Saúde identifique claramente, em campanhas e nas unidades, os serviços oferecidos pelo SUS, para que a população saiba nomear o direito que exerce. Braga conclui que somente com visibilidade e reconhecimento pelo conjunto da sociedade o princípio aprovado em 1986 deixará de ser mera formulação constitucional e voltará a ser um compromisso coletivo.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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