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quinta-feira, outubro 15, 2026

Prints do bloco de notas ampliaram rastros de conversas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, mostra investigação

TRANSMISSÃO: Globo

Programas usados em perícias da Polícia Federal conseguiram recuperar mensagens e arquivos trocados entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, incluindo imagens que haviam sido enviadas como visualização única pelo WhatsApp, segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo em 6 de março. A troca de mensagens ocorreu em 17 de novembro, de acordo com a investigação do caso Master.

Segundo o jornal, a PF utilizou um software que reúne mensagens e arquivos em uma única visualização, o que permitiu reconstituir imagens de visualização única. Parte da conversa incluía capturas de tela feitas por Vorcaro no aplicativo de bloco de notas, enviadas pelo WhatsApp como imagens. Em nota anterior, Moraes afirmou que os prints não aparecem como enviados a ele e que uma análise técnica indicou que as imagens de visualização única não correspondem aos contatos do ministro.

O perito em segurança digital Wanderson Castilho explicou ao g1 que a opção de transformar texto em imagem, usada por Vorcaro, pode ter aumentado os vestígios eletrônicos. “É até mais fácil recuperar imagens do que a conversa propriamente dita. Quando ele transformou a conversa em imagem, deixou um rastro maior”, disse Castilho. Ele listou possíveis locais de recuperação das imagens: o próprio aplicativo de bloco de notas; a galeria de fotos onde a captura foi salva; e pastas ocultas que mantêm arquivos temporários. Castilho também observou que tanto o bloco de notas quanto a galeria têm lixeiras que retêm arquivos excluídos por alguns dias e que, mesmo após a remoção, rastros podem permanecer na memória do aparelho.

O perito explicou ainda que a estrutura do WhatsApp — que armazena conversas no aparelho e não em servidores externos — permite a extração de mensagens quando as autoridades têm acesso físico ao dispositivo. A criptografia de ponta a ponta protege as mensagens em trânsito, mas elas são descriptografadas nos aparelhos ao chegarem, ficando legíveis nesse ponto, conforme resumiu Castilho.

Ferramentas citadas na reportagem incluem os sistemas comerciais Cellebrite (israelense) e GrayKey (americano), capazes de acessar iPhones e dispositivos Android bloqueados, e o IPED, criado pela Polícia Federal em 2012, que indexa e processa evidências digitais. A técnica de extração varia conforme o estado do aparelho: quando bloqueado, pode-se empregar GrayKey ou Cellebrite para tentar descobrir senhas e baixar dados via USB; se desligado ou danificado, pode-se fazer chip-off, removendo o chip de memória para leitura em outro equipamento.

Castilho destacou a necessidade de agir rápido na extração porque registros importantes ficam em memórias temporárias, citando, por exemplo, a senha de bloqueio da tela. A empresa do GrayKey informou em 2024 que uma atualização do iPhone faz o aparelho reiniciar automaticamente se permanecer bloqueado por mais de três dias, o que pode dificultar a extração.

O IPED também é capaz de extrair texto de imagens e facilitar buscas por padrões como CPF e valores monetários. Marcos Monteiro, presidente da Associação dos Peritos em Computação Forense, explicou ao Fantástico que o sistema identifica imagens, converte textos nelas e organiza os dados para buscas textuais. O código-fonte do IPED está disponível publicamente desde 2019, o que permite contribuições de desenvolvedores.

Em síntese, a estratégia de transformar mensagens em imagens e enviá-las como visualização única deixou vestígios que, segundo peritos e a perícia da PF, puderam ser recuperados por ferramentas forenses empregadas na investigação.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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