O mercado físico de soja no Brasil registrou forte movimentação nesta sexta-feira, com aumento nas negociações tanto nos portos quanto nas indústrias, impulsionado principalmente pela valorização do dólar. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a alta da moeda norte-americana foi o principal fator por trás da elevação das cotações no mercado interno, enquanto os contratos na Bolsa de Chicago recuaram, mas sem quedas acentuadas.
De acordo com Silveira, os prêmios continuam em níveis mais favoráveis e o comportamento do câmbio abriu oportunidades para comercialização, o que levou produtores a voltarem ao mercado após quase duas semanas de atividade mais contida. O analista aponta ainda que o spread entre compradores e vendedores diminuiu, tornando as ofertas mais atrativas e dando novo impulso às transações.
Preços no Brasil
As cotações registraram alta em diversas praças do país. Entre as variações registradas estão:
Passo Fundo (RS): de R$ 124,00 para R$ 125,50
Santa Rosa (RS): de R$ 125,00 para R$ 126,50
Cascavel (PR): de R$ 119,00 para R$ 120,00
Rondonópolis (MT): de R$ 107,00 para R$ 110,00
Dourados (MS): de R$ 111,00 para R$ 113,00
Rio Verde (GO): de R$ 110,00 para R$ 112,00
Paranaguá (PR): de R$ 130,00 para R$ 131,00
Rio Grande (RS): de R$ 130,00 para R$ 131,50
Soja em Chicago
No mercado internacional, os contratos futuros da soja na Bolsa de Mercadorias de Chicago fecharam em baixa, ampliando perdas acumuladas na semana. A aversão ao risco global, afetada pelo conflito no Oriente Médio, fortaleceu o dólar frente a outras moedas e reduziu a competitividade da soja americana.
O cenário também reflete oferta global abundante, com avanço da colheita da maior safra da história do Brasil. Além disso, o adiamento do encontro entre os presidentes dos Estados Unidos e da China postergou expectativas de um acordo comercial que poderia acelerar compras chinesas de soja americana.
Nas importações chinesas, as compras de soja dos Estados Unidos somaram 1,49 milhão de toneladas nos dois primeiros meses de 2025, queda de 83,7% em relação ao mesmo período de 2024. As aquisições do Brasil totalizaram 6,56 milhões de toneladas, alta de 82,7% sobre 3,59 milhões em 2024. Da Argentina, as importações somaram 3,27 milhões de toneladas, contra 111,6 mil toneladas no mesmo intervalo do ano anterior.
Contratos futuros e câmbio
Na Bolsa de Chicago, o contrato com entrega em maio fechou a US$ 11,61 1/4 por bushel, recuo de 0,62%, e o de julho encerrou a US$ 11,76 1/2, com queda de 0,57%. Entre os subprodutos, o farelo para maio caiu 1,35%, a US$ 328,00 por tonelada, e o óleo subiu 0,15%, para 65,51 centavos de dólar por libra-peso.
No mercado cambial, o dólar comercial terminou o dia em alta de 1,81%, cotado a R$ 5,3117 para venda e R$ 5,3097 para compra. Durante a sessão, a moeda oscilou entre R$ 5,2337 e R$ 5,3237 e, na semana, acumulou ligeira queda de 0,1%.
As movimentações no mercado doméstico e externo mantêm o foco dos agentes na combinação entre câmbio mais firme, prêmios mais elevados e maior fluxo de negócios nas praças brasileiras.
Com informações de Uberlandianofoco




