Uma executiva da Alphabet alertou que os Estados Unidos podem não estar expandindo a geração de energia com rapidez suficiente para acompanhar a demanda crescente provocada pela inteligência artificial. O comentário foi feito por Ruth Porat, presidente e diretora de investimentos da Alphabet, durante a conferência CERAWeek, em Houston, nesta segunda-feira (23).
Porat declarou preocupação com o ritmo atual de ampliação da oferta energética no país e afirmou que provavelmente será necessário recorrer a múltiplas fontes para suprir o aumento do consumo associado a operações de IA. A declaração ocorreu no evento que reúne líderes do setor de energia, tecnologia e finanças.
Em resposta às necessidades previstas, a Alphabet adotou medidas pouco usuais para uma companhia de tecnologia: adquiriu uma empresa do setor elétrico com o objetivo de fortalecer a base energética que sustenta seus planos de crescimento. Além dessa compra, a companhia tem investido em reatores nucleares avançados — descritos pela empresa como uma nova geração de usinas nucleares — e estabelecido contratos de resposta à demanda.
Os contratos de resposta à demanda permitem que grandes consumidores de eletricidade reduzam temporariamente o uso em momentos de pico, o que é uma estratégia adotada, por exemplo, para ajustar a operação de data centers. Esses centros de dados são instalações de grande porte que hospedam servidores e equipamentos responsáveis por armazenar e processar informações usadas por serviços digitais e sistemas de inteligência artificial.
Em um caso concreto citado pela Alphabet, a empresa fechou um acordo com a fornecedora NextEra Energy para reativar uma usina nuclear que havia sido desativada no Estado de Iowa. A energia gerada por essa usina reativada será destinada ao funcionamento dos data centers da Alphabet, segundo os termos anunciados.

Os comentários de Porat refletem a preocupação da companhia quanto à infraestrutura energética necessária para suportar a expansão das aplicações de inteligência artificial, ao mesmo tempo em que apontam para soluções que a própria Alphabet vem adotando para garantir fornecimento.




