Austrália e União Europeia assinaram, na segunda-feira (23) — já terça-feira no horário local — um acordo comercial que encerra anos de negociações e reforça a aproximação econômica entre os dois lados, em meio a um cenário de tensões comerciais globais.
O pacto, firmado em Canberra após encontro entre a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o primeiro-ministro australiano Anthony Albanese, teve início nas conversas de 2018 e ganhou velocidade nos últimos meses, em parte devido ao aumento das disputas comerciais internacionais, incluindo tarifas impostas pelos Estados Unidos.
A União Europeia justificou o acordo como uma medida para diversificar mercados de exportação e reduzir a dependência de fornecedores tradicionais, com atenção especial ao abastecimento de minerais críticos — segmento que enfrenta controles de exportação por parte da China. O bloco também vê o acordo como parte de um maior engajamento no Indo-Pacífico, na sequência de acordos recentes com a Indonésia, em setembro, e com a Índia, em janeiro.
Entre os principais pontos do tratado estão a eliminação de mais de 99% das tarifas sobre bens exportados da UE para a Austrália e a redução anual estimada em cerca de 1 bilhão de euros (US$ 1,16 bilhão) nos custos com tarifas para empresas. A União Europeia informou ainda que o acerto prevê diminuições nas tarifas incidentes sobre importações de minerais críticos.
No setor de serviços, o texto amplia o acesso europeu a áreas como telecomunicações e serviços financeiros. No campo agrícola, as tarifas australianas sobre vinhos, espumantes, frutas, legumes e chocolates serão zeradas desde o primeiro dia, enquanto as tarifas para queijos desaparecerão ao longo de um período de três anos.
Para a carne bovina, o acordo cria duas cotas tarifárias que somam 30.600 toneladas, com cerca de 55% deste volume ingressando sem tarifas. Negociações anteriores haviam fracassado em 2023, em grande parte por desacordos relacionados a cotas de carne e proteção ao setor agrícola europeu.

A Comissão Europeia projeta que o novo acordo poderá elevar as exportações totais do bloco para a Austrália em até 33% na próxima década. O comércio bilateral já é relevante: empresas da UE exportaram 37 bilhões de euros em bens para a Austrália em 2025 e 28 bilhões de euros em serviços em 2023. Em 2024, a UE foi o terceiro maior parceiro comercial bilateral da Austrália, seu sexto maior destino de exportações e a segunda maior origem de investimento estrangeiro no país.
Após a assinatura em Canberra, von der Leyen destacou que, apesar da distância geográfica, os dois parceiros compartilham uma visão semelhante sobre assuntos globais e vêm aprofundando laços não apenas no comércio, mas também em parcerias de segurança e defesa.
O acordo deverá entrar em vigor conforme os procedimentos de ratificação previstos pelas partes.




