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quinta-feira, setembro 10, 2026

Polícia Federal revela esquema milionário de fraudes em concursos envolvendo pontos eletrônicos e “bonecos”

A Polícia Federal divulgou investigação que detalha como organizações criminosas atuaram em fraudes de concursos públicos, em um caso cujo material foi obtido pelo Fantástico neste domingo (22). Segundo a PF, o esquema teria abrangido exames de grande porte, como o Concurso Nacional Unificado (CNU), além de certames das Polícias Civis, da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil.

De acordo com o inquérito, as quadrilhas empregavam métodos variados e sofisticados para garantir aprovações mediante pagamento. Entre as práticas apontadas pela investigação estão a implantação cirúrgica de dispositivos eletrônicos em candidatos, falsificação de documentos e identidades, vazamento antecipado do conteúdo das provas e a contratação de terceiros para realizar os exames — conhecidos no meio como “bonecos”.

A PF informou que os aparelhos implantados permitiam receber orientação externa durante a prova e só podiam ser removidos por procedimento médico. Em outras frentes, auditores e operadores teriam conseguido acesso prévio a cadernos de provas, possibilitando a preparação de gabaritos e redações antes da aplicação.

O material apreendido também indica que agentes do esquema subornavam vigilantes, desativavam equipamentos de vigilância e utilizavam documentos falsos para viabilizar a ação de substitutos nas salas de prova. A apuração mostra uma estrutura organizada, com divisão de tarefas, atuação em vários estados e suporte financeiro para lavar e administrar os valores obtidos ilegalmente.

Os valores cobrados variavam conforme o cargo: para posições de maior remuneração, como auditor fiscal, o pagamento podia alcançar R$ 500 mil. A PF aponta que alguns aprovados parcelaram os valores ou aceitaram bens, como carros e viagens, como forma de quitar os acordos.

Entre os nomes citados está Waldir Luiz de Araújo Gomes, conhecido como “Mister M”, que teria atuado na Cesgranrio — organizadora do CNU — e posteriormente no Tribunal Regional da Paraíba, com acesso antecipado a provas e instruções sobre como abrir envelopes sem deixar sinais. A apuração começou com denúncia anônima que levou os investigadores até o ex-policial militar Wanderlan Limeira de Sousa, em Patos (PB). Wanderlan e dois parentes foram aprovados no CNU de 2024 para auditor fiscal do trabalho, cargo com salário superior a R$ 22 mil. Em dezembro, o Hospital Regional de Patos informou que Wanderlan morreu em decorrência de problemas de coagulação.

Na última semana, foram cumpridos mandados de prisão e busca em Alagoas, Paraíba e Pernambuco; dois professores suspeitos de prestar o serviço de “boneco” foram detidos e o delegado-geral de Alagoas foi alvo de busca e apreensão.

Em resposta às fraudes, a PF informou que, em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Ministério da Gestão e Inovação, ampliou medidas de segurança para os concursos, incluindo identificação das provas página a página com códigos de barras, sigilo do tipo de prova até a divulgação dos gabaritos, detectores de metal em salas e banheiros, uso orientado de detectores de ponto eletrônico e escolta reforçada por forças policiais.

Os investigados podem responder por crimes como fraude em concurso público, organização criminosa, falsificação de documentos e lavagem de dinheiro, além de ter suas aprovações anuladas ou sofrer sanções administrativas e penais.

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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