O dólar operava em alta nesta terça-feira (24), subindo 0,38% e sendo negociado a R$ 5,2601 por volta das 9h03 (Brasília, UTC-3). O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abriu às 10h.
O avanço da moeda americana ocorreu em meio à alta do preço do petróleo no mercado internacional e a dúvidas sobre o progresso de eventuais negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio.
Petróleo e cenário internacional
Após forte queda na véspera, quando o barril Brent fechou a US$ 99,72, recuando 11,12%, o petróleo voltou a subir. Por volta das 8h46, o Brent avançava 2,53%, a US$ 98,35, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) subia 2,68%, a US$ 90,49.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Irã estaria disposto a fechar um acordo e que poderia haver conversas por telefone. Reportagens citaram negociações envolvendo Steve Witkoff, Jared Kushner e Mohammad-Bagher Ghalibaf; Ghalibaf negou envolvimento e classificou as notícias como “fake news”, em declaração relacionada ao impacto sobre o preço do petróleo.
Apesar das declarações, Israel e Irã retomaram ataques nesta terça, um dia após a menção de possíveis negociações por Trump. Um ataque aéreo iraniano na madrugada deixou feridos em Tel Aviv, e Israel afirmou que pode criar uma “zona de segurança” no sul do Líbano. Com o conflito em curso e o Estreito de Ormuz sob risco — rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial —, investidores passaram a precificar possíveis restrições na oferta.
Política monetária e indicadores domésticos
O Banco Central do Brasil publicou nesta manhã a ata do Comitê de Política Monetária relativa à reunião em que a Selic foi reduzida de 15% para 14,75% — o primeiro corte em quase dois anos. No documento, a autoridade monetária afirmou que a guerra no Oriente Médio pressiona a inflação no país, devido à alta do petróleo, e indicou que os juros devem permanecer em patamar restritivo.
Na agenda econômica, o mercado acompanha os PMIs de indústria e serviços nos Estados Unidos, além de dados de emprego, produtividade e custo do trabalho. No Brasil, a Receita Federal divulga às 10h a arrecadação de fevereiro, e os ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento publicam às 17h o relatório bimestral de receitas e despesas.

Desempenho dos mercados
Os indicadores exibiam variações semanais, mensais e no ano: o dólar acumulava na semana -1,29%, no mês +2,07% e no ano -4,53%. O Ibovespa mostrava acumulado da semana +3,24%, do mês -3,63% e do ano +12,91%.
Na segunda-feira, os mercados globais reagiram às declarações de Trump. Em Wall Street, Dow Jones e Nasdaq Composite subiram 1,38% cada, e o S&P 500 avançou 1,15%. Na Europa, o CAC 40 subiu 0,79% e o DAX 1,22%, enquanto o FTSE 100 recuou 0,24%.
Nos mercados asiáticos, as bolsas fecharam em queda: Xangai caiu 3,63%, o CSI300 recuou 3,26% e o Hang Seng de Hong Kong teve baixa de 3,54%. No Japão, o Nikkei caiu 3,48%, encerrando aos 51.515 pontos. A Coreia do Sul registrou forte recuo com o Kospi caindo 6,49%, aos 5.405 pontos, e Taiwan teve o Taiex em baixa de 2,45%, aos 32.722 pontos.
O dia seguia com cautela por parte de investidores e analistas, diante da fragilidade do cenário internacional e do potencial de manutenção de preços elevados de energia mesmo diante de uma possível trégua no conflito.




