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sábado, outubro 24, 2026

Investidores fizeram apostas milionárias minutos antes de postagem de Trump que derrubou preço do petróleo

Quem: investidores do mercado de petróleo, o presidente dos EUA, Donald Trump, reguladores e autoridades iranianas.

O que: operações de grande volume em contratos futuros de petróleo ocorreram minutos antes de uma publicação de Trump que levou a uma queda brusca no preço do petróleo.

Quando: às 8h04 (Brasília UTC-3), Trump publicou na rede Truth Social a mensagem sobre negociações com o Irã; quinze minutos antes, às 7h49, houve aumento expressivo nas apostas.

Onde: negociações ocorreram na New York Mercantile Exchange (Nymex) e em contratos de referência Brent.

Como: dados de mercado analisados pela BBC mostram que, às 7h49, investidores fizeram 733 apostas em contratos de petróleo WTI na Nymex. Um minuto depois, o total saltou para 2.007 contratos, equivalentes a US$ 170 milhões. No mercado de Brent, o número de contratos subiu de 20 para 1.600 em poucos minutos, cerca de US$ 150 milhões.

Logo após a publicação de Trump, que às 8h04 (Brasília UTC-3) afirmou que Washington teve “conversas muito boas e produtivas” com Teerã sobre uma “resolução completa e total” das hostilidades, o preço do petróleo caiu cerca de 14% em minutos, chegando a US$ 84 por barril. A ação permitiu que investidores que apostaram na queda do preço obtivessem ganhos milionários.

Analistas ouvidos disseram que a atividade é atípica para o horário e levantou questionamentos sobre possível uso de informação privilegiada. Mukesh Sahdev, analista da XAnalysts, afirmou que o movimento parecia incomum, já que não havia indícios públicos de negociações sérias naquela hora. Rachel Winter, da Killik & Co., disse que havia “alguma especulação sobre informação privilegiada” e que esperava investigação.

A BBC procurou a Casa Branca; o jornal Financial Times informou que um porta-voz afirmou não tolerar ganho ilegal por autoridades do governo com informação privilegiada. A BBC também contatou a Commodity Futures Trading Commission (CFTC) dos EUA e a Financial Conduct Authority (FCA) do Reino Unido e aguarda respostas.

O episódio ocorre em meio à forte volatilidade dos mercados provocada pelo conflito no Oriente Médio. No sábado (21/3), Trump havia ameaçado “aniquilar” usinas de energia do Irã caso o país não abrisse em 48 horas o Estreito de Ormuz. Na segunda-feira, inicialmente os mercados asiáticos caíram e o preço do petróleo subiu, até a publicação de Trump que reverteu parte desse movimento.

O governo do Irã negou negociações e classificou a notícia como “fake news”. Em postagem no X, o presidente do parlamento iraniano, Mohammad-Bagher Ghalibaf, afirmou que se tratava de “fake news usada para manipular mercados financeiros e de petróleo e escapar do atoleiro no qual os EUA e Israel estão presos”.

O texto destaca ainda episódios anteriores que ligaram decisões de política externa a apostas financeiras: em janeiro, um salto de apostas no Polymarket sobre a queda do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, resultou em pagamento de US$ 436 mil a um apostador que investiu US$ 32 mil após a captura do líder por forças americanas.

As autoridades e reguladores continuam sob consulta enquanto o mercado busca esclarecimentos sobre as negociações que antecederam a postagem de Trump.

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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