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sexta-feira, outubro 16, 2026

CEO da BlackRock avisa que petróleo a US$ 150 por barril pode provocar recessão global

Petróleo a US$ 150 por barril pode levar a recessão global, diz CEO da BlackRock

O CEO da BlackRock, Larry Fink, afirmou à BBC que se o preço do petróleo subir até US$ 150 por barril isso poderá desencadear uma recessão mundial. Em entrevista exclusiva, ele relacionou o risco a um agravamento das tensões envolvendo o Irã e a persistência de preços elevados da energia.

Fink, que dirige a maior gestora de ativos do planeta — com cerca de US$ 14 trilhões (aproximadamente R$ 73 trilhões) sob administração — e é um dos oito cofundadores da empresa criada em 1988, avaliou que há dois cenários possíveis para o desfecho do conflito no Oriente Médio. No primeiro, uma resolução do conflito e a reintegração do Irã à comunidade internacional poderiam reduzir os preços do petróleo abaixo dos níveis anteriores à guerra. No segundo, se o Irã seguir como fonte de instabilidade, os preços poderiam permanecer altos por anos, com margens acima de US$ 100 e até próximos de US$ 150, cenário que teria efeitos “profundos” sobre a economia e poderia resultar em uma recessão “provavelmente drástica e acentuada”.

O conflito já provocou forte volatilidade nos mercados financeiros, à medida que investidores tentam antecipar os impactos sobre os custos de energia. Em resposta a essa incerteza, setores do Reino Unido têm defendido aumento da produção doméstica de petróleo e gás. Na terça-feira (24/3), a associação Offshore Energies UK alertou que, sem maior produção interna, o país corre risco de depender de importações em um momento de instabilidade global crescente.

Fink defende que os países adotem postura pragmática na composição da matriz energética, usando todas as fontes disponíveis, mas ressaltou que energia barata é essencial para crescimento econômico e melhoria do padrão de vida. Segundo ele, elevações no custo da energia agem como um imposto regressivo, atingindo com mais força as camadas mais pobres. Ainda assim, afirmou que se o petróleo permanecer em torno de US$ 150 por três ou quatro anos, muitos países acelerariam a migração para energia solar e, possivelmente, eólica.

Sobre o mercado financeiro atual, Fink rejeitou comparações com a crise de 2007-2008, dizendo que não enxerga semelhanças e que, hoje, as instituições financeiras estariam mais sólidas. Ele também afirmou não acreditar que haja uma bolha em torno dos investimentos em inteligência artificial, embora admita a possibilidade de alguns projetos falharem.

No ano passado, a BlackRock integrou um consórcio que comprou a operadora de data centers Aligned Data Centres em um negócio avaliado em US$ 40 bilhões. Fink observou que o custo de energia é um dos principais entraves para o avanço da IA nos Estados Unidos e na Europa, enquanto a China investe pesado em solar e nuclear. Para ele, investir em energia renovável é crítico para sustentar o desenvolvimento tecnológico.

Questionado sobre efeitos da IA no mercado de trabalho, Fink reiterou que a tecnologia gerará muitas vagas, especialmente em atividades técnicas e manuais, como eletricistas, soldadores e encanadores, e defendeu um reequilíbrio na ênfase educacional que historicamente levou muitos jovens a priorizarem ensino superior em detrimento de formações técnicas.

A entrevista foi concedida ao editor de negócios da BBC, Simon Jack.

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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