O governo federal reabriu nesta semana uma linha de crédito destinada a empresas exportadoras, lançada inicialmente no ano passado como resposta ao aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos durante a gestão do presidente Donald Trump. O volume disponibilizado agora é de R$ 15 bilhões e a operação será conduzida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
As regras detalhadas da nova rodada — incluindo taxa de juros, prazos e demais normas das linhas de financiamento — ainda serão definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Segundo a Casa Civil, o programa tem como foco apoiar exportadores brasileiros que estão sendo afetados pela guerra no Oriente Médio e também segmentos que seguem sob impacto de medidas tarifárias adotadas pelos EUA.
Segundo a divulgação oficial, os recursos poderão ser usados para financiar capital de giro; a aquisição de bens de capital ou investimentos necessários à adaptação da atividade produtiva; projetos que ampliem a capacidade produtiva ou promovam o adensamento da cadeia; além de investimentos em inovação tecnológica ou na adaptação de produtos, serviços e processos, entre outras finalidades.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que a iniciativa visa antecipar apoio à indústria brasileira e preservar postos de trabalho, ressaltando que os recursos serão importantes para manter a produtividade e a competitividade no mercado internacional.
Como fonte para as linhas de crédito, o governo indicou o superávit financeiro do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) apurado em 31 de dezembro de 2025, além de outras fontes orçamentárias, sem detalhar valores adicionais.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, informou que a linha criada no ano passado, em reação às tarifas dos EUA, aprovou mais de R$ 16 bilhões em crédito para empresas afetadas. Mercadante destacou que, nesta reabertura, o apoio será direcionado a setores que ainda enfrentam tarifas elevadas, como o siderúrgico, o metalúrgico e o automotivo (no segmento de autopeças), além de áreas relevantes para a balança comercial, como farmacêutico, máquinas e equipamentos e eletrônicos. Ele também citou impactos em segmentos atingidos pela falta de fertilizantes causada por conflitos em outros países.

Em paralelo, a indústria exportadora do café enfrenta prejuízos refletidos na impossibilidade de embarque de mais de 624 mil sacas do produto nos portos brasileiros.
A linha de crédito reaberta pelo BNDES busca, segundo o governo, amenizar efeitos externos que ainda pressionam exportadores e cadeias produtivas brasileiras.




