No mês dedicado às mulheres, dados e relatos mostram mudança consistente na participação feminina nas propriedades rurais de Minas Gerais. A Gerência da Mulher, do Jovem e de Inovação do Sistema Faemg Senar ampliou programas que transformaram presenças esporádicas em políticas permanentes de formação, representação e gestão no campo.
Entre agosto de 2022 e novembro de 2025, os Encontros de Mulheres do Sistema Faemg Senar passaram de 17 para 80 eventos por ano. A participação também cresceu: 4.850 mulheres acompanharam as ações em 2022, 9.000 em 2024 e, até setembro de 2025, 7.695 foram atendidas.
O alcance dessas iniciativas não se limitou ao aumento de público. O programa chegou aos Sindicatos dos Produtores Rurais, a municípios menores e a cadeias produtivas onde mulheres já atuavam, muitas vezes sem reconhecimento formal. “A mulher sempre esteve no agro. O que fizemos foi dar ferramentas para que ela passasse de participante de bastidor para uma participante que está na instância decisória”, afirma Silvana Novais, gerente da área.
Da participação à liderança
A criação, em 2022, da Comissão Faemg Mulher e a formação de núcleos femininos nos sindicatos facilitaram o surgimento de novas lideranças. Os Encontros das Líderes do Agro de Minas passaram a reunir representantes de várias regiões e missões técnicas inseriram produtoras em ambientes de inovação e governança rural. Hoje são 54 núcleos distribuídos pelo estado com a missão de ampliar a participação das mulheres no Sistema Faemg Senar e nos SPRs.
“Essa atuação fortalece lideranças femininas regionalmente, amplia o conhecimento, cria oportunidades dentro do setor e gera mais reconhecimento para as mulheres no agro”, afirma Juliana Rezende, presidente da Comissão Faemg Mulher.
Na prática, a presença feminina aumentou em espaços decisórios: o número de mulheres presidindo Sindicatos dos Produtores Rurais subiu de 17 para 24 e o de mulheres em diretorias passou de 341 para 428, entre 2022 e 2025.
Impacto dentro da porteira e iniciativas locais
Na rotina das propriedades, a participação das mulheres tem influenciado decisões produtivas, diversificação de renda, adoção de tecnologias, maior organização financeira e profissionalização da gestão familiar, reduzindo riscos de ruptura sucessória.
Projetos e eventos locais ilustram a transformação: em Montes Claros, o Núcleo de Mulheres do SPR criou o projeto “Como Conviver com o Não Sei”, voltado à troca de experiências e capacitação técnica; em Campos Altos, a 1ª Feira das Mulheres do Agro, realizada em março de 2025, valorizou produtos e talentos locais; em Rubim, o 1º Leilão de Mulheres na Pecuária, promovido em 2024, contou com 23 pecuaristas e movimentou mais de R$ 1,3 milhão, marcando o lançamento do Núcleo de Mulheres do sindicato.
Outras ações incluem o Projeto Mulher Rural, em Arinos, que registra histórias e estimula a sucessão familiar; a Trilha da Transformação Feminina, em Rio Paranaíba, que promove inclusão financeira e troca de conhecimentos; e o projeto Sementinhas do Agro, da Comissão Faemg Mulher, que levou mais de 800 estudantes a um circuito pedagógico durante a Expomontes 2025.
Casos individuais também mostram a mudança. Após a morte do marido, por exemplo, Lina Avelino tornou-se gestora de uma fazenda de leite e gado de corte e atribui parte do seu aprendizado a dias de campo e encontros promovidos em parceria com sindicatos, onde encontrou capacitação técnica e apoio de outras produtoras.
Essas ações, organizadas de forma continuada, ampliaram a participação feminina no agro mineiro e transformaram o mês de março em um marco de mudança estrutural para o setor.
Com informações de Gazetadotriangulo




