A Páscoa de 2026 chega com aumento expressivo no preço do chocolate e redução do tamanho dos produtos nas prateleiras de supermercados de Uberlândia e região. Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostram alta de 24,77% nos últimos 12 meses, enquanto fabricantes adotam estratégias para reduzir perdas, incluindo a diminuição do peso das embalagens.
Crise global do cacau explica parte da alta
Segundo a economista Pollyanna Gondin, a elevação dos preços está ligada à crise de oferta que teve início em 2024. Naquele ano, a cotação internacional do cacau chegou a superar US$ 10 mil por tonelada, após sucessivas quebras de safra em países africanos responsáveis por cerca de 60% da produção mundial. Condições climáticas adversas, como o fenômeno El Niño, e doenças nas plantações reduziram a oferta global.
Gondin ressalta que, mesmo com queda da cotação no início de 2026, o alívio não se traduz imediatamente para o consumidor. A indústria costuma adquirir matéria-prima com até um ano de antecedência, e muitos estoques ainda foram comprados quando os preços estavam no pico.
Logística eleva custos no interior
No interior, incluindo cidades como Uberlândia, o impacto é ampliado pelos custos logísticos. A concentração dos principais polos industriais nas regiões Sul e Sudeste eleva despesas de transporte rodoviário e armazenagem, o que contribui para reajustes que, em alguns produtos sazonais, podem alcançar 30%.
Para conter o repasse direto ao preço, as empresas vêm praticando a chamada reduflação, diminuindo o tamanho ou o peso dos produtos enquanto mantêm o preço nominal. Gondin afirma que essa prática é comum em períodos de inflação persistente para evitar perdas abruptas nas vendas.
Mercado local e comportamento do consumidor
Em Uberlândia, confeitarias e fabricantes locais têm ampliado o portfólio, oferecendo desde opções tradicionais até alternativas criativas e personalizadas. A oferta inclui faixas de preço variadas, de versões mais acessíveis a produtos premium, buscando atender consumidores mais cautelosos que comparam preços e priorizam custo-benefício.

Levantamento da Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomercio-MG) aponta que 98,1% dos mineiros mantêm a tradição de presentear na Páscoa, mas o comportamento mudou: 34,4% disseram preferir chocolates em geral (barras e bombons) em vez dos ovos tradicionais e 72,8% pretendem gastar o mesmo valor que em 2025, o que na prática significa adquirir menos gramas de chocolate.
Especialistas projetam que a normalização dos preços ocorrerá de forma gradual, com possíveis descontos e maior competição em datas como Dia das Mães e Dia dos Namorados, mas custos fixos como leite, açúcar e frete continuam a pressionar os valores.
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Com informações de Paranaibamais




