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sexta-feira, outubro 23, 2026

Meninas apresentam índices mais altos de tristeza, desamparo e insatisfação corporal, aponta PeNSE 2024

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada na última quarta-feira (25) pelo IBGE em parceria com os Ministérios da Saúde e da Educação, mostra que meninas adolescentes apresentam indicadores piores de saúde mental, percepção corporal e exposição à violência em comparação a meninos. A pesquisa abrange mais de 12,3 milhões de jovens de 13 a 17 anos matriculados nas redes pública e privada do país; meninas correspondem a cerca de metade desse total, aproximadamente 6,2 milhões.

De acordo com os dados, 41% das meninas relataram ter se sentido tristes na maior parte do tempo ou sempre nos 30 dias anteriores à pesquisa, índice quase 2,5 vezes superior ao observado entre os meninos (16,7%). Outros sinais de vulnerabilidade emocional entre as meninas incluem ideação de autolesão — 43,4% disseram ter tido vontade de se machucar intencionalmente nos últimos 12 meses, contra 20,5% dos meninos — e sensação de desamparo, relatada por 33% delas.

Ainda segundo a PeNSE, 25% das meninas declararam acreditar que a vida não vale a pena ser vivida, frente a 12% entre os meninos. Sintomas relacionados à ansiedade e ao humor também aparecem em níveis elevados: 61,0% das meninas relataram preocupação excessiva com o cotidiano e 58,1% informaram sentir irritabilidade ou mau humor com frequência.

Especialistas ouvidas pela pesquisa apontam que fatores sociais, culturais e estruturais ajudam a explicar o impacto maior na saúde mental das adolescentes. Gabriela Mora, do UNICEF no Brasil, relaciona o cenário a elementos como violência de gênero, assédio online, pobreza menstrual e padrões estéticos inalcançáveis. Ela destaca ainda que a socialização masculina, que privilegia o controle emocional, contribui para diferenças na expressão de sofrimento entre meninos e meninas.

Na dimensão da imagem corporal, 36,1% das meninas se declaram insatisfeitas ou muito insatisfeitas com o próprio corpo — o dobro do percentual entre os meninos (18,2%). Enquanto os meninos tendem a buscar ganho de peso, 31,7% das meninas afirmaram tentar emagrecer, e 21,0% se percebem como “gordas ou muito gordas”.

As meninas também figuram como as principais vítimas de diversas formas de violência: 30,1% relataram humilhações frequentes por colegas (bullying) e 15,2% disseram ter sofrido agressões no ambiente virtual. Em termos de violência sexual, 26,0% afirmaram ter sofrido assédio sexual — como toques ou exposição contra a vontade — e 11,7% relataram ter sido forçadas a manter relações sexuais. O IBGE indica que a violência sexual atinge mais de 1 milhão de adolescentes no país.

A PeNSE inclui pela primeira vez dados sobre dignidade menstrual: 15% das adolescentes disseram ter deixado de ir à escola ao menos um dia no último ano por falta de absorventes. A pesquisa aponta que, apesar de políticas públicas existentes para distribuição de absorventes, barreiras burocráticas, logísticas e a falta de infraestrutura adequada nas escolas agravam o problema, além do tabu cultural que dificulta o debate.

Embora as meninas tenham taxas de conclusão escolar superiores em alguns indicadores, elas seguem enfrentando desafios específicos, como gravidez não planejada, sobrecarga de tarefas domésticas e vigilância sobre sua sexualidade. Gabriela Mora defende que políticas públicas priorizem meninas, garantindo direitos, proteção contra violências e mais oportunidades de participação social e liderança.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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