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sexta-feira, outubro 16, 2026

Irã ameaça bloquear outro estreito vital para o comércio de energia, dizem aliados no Iêmen

TRANSMISSÃO: Band

Estreito de Bab el-Mandeb entra na mira dos aliados do Irã

O Estreito de Bab el-Mandeb, na entrada do Mar Vermelho entre Iêmen, Djibuti e Eritreia, voltou a ser apontado como alvo estratégico por aliados do Irã que ameaçam fechar a passagem caso o ex-presidente Donald Trump não pressione por um fim da guerra, segundo reportagens da agência semioficial iraniana Tasnim e relatos à Reuters.

Na quinta-feira (26), a Tasnim publicou declarações de uma fonte militar iraniana dizendo que os houthis — grupo armado do Iêmen apoiado pelo Irã — estariam prontos a “assumir o controle” do estreito como parte das chamadas forças de resistência, e que já demonstraram capacidade de fechar a rota. A agência também divulgou aviso de que ações imprudentes dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz poderiam levar a nova pressão sobre Bab el-Mandeb.

Os houthis afirmaram no sábado (28/03) ter lançado mísseis contra alvos em Israel — o primeiro ataque do grupo contra o país desde o início da guerra — e um míssil lançado do Iêmen foi interceptado, de acordo com informações de Israel. Líderes do movimento disseram estar “militarmente prontos” e que a decisão sobre quando agir caberá à liderança do grupo, conforme noticiou a Reuters sob condição de anonimato. A Bloomberg também registrou ameaças anteriores do líder Abdul Malik Al-Houthi a respostas militares contra Estados Unidos e Israel.

Após as novas ameaças, autoridades dos Estados Unidos emitiram alerta sobre possível aumento de ataques de houthis em Bab el-Mandeb. A Administração Marítima do Departamento de Transportes dos EUA publicou na quinta-feira aviso destacando que, apesar de os houthis não terem atacado embarcações comerciais desde o cessar-fogo entre Israel e Gaza em outubro de 2025, o grupo ainda representa risco a ativos dos EUA, incluindo navios comerciais.

O estreito é crucial para o tráfego em direção ao Canal de Suez e transporta cerca de 12% do petróleo comercializado por via marítima no mundo. A Administração de Informação sobre Energia dos EUA estima que cerca de 4,5 milhões de barris de petróleo transitam diariamente pelo corredor do Mar Vermelho. Com o fechamento prático do Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial e que já elevou o preço do Brent de cerca de US$ 70 para mais de US$ 100 por barril — Bab el-Mandeb passou a ser alternativa importante para escoamento do petróleo do Oriente Médio.

Historicamente conhecido como “o portão das lágrimas”, o estreito tem 115 km de extensão e 36 km de largura e já foi palco de ataques de piratas (2008–2012) e, mais recentemente, de ofensivas dos houthis entre 2023 e 2025. Entre novembro de 2023 e janeiro de 2024 o grupo realizou mais de 100 ataques contra navios comerciais, afundando duas embarcações e matando quatro marinheiros, o que forçou companhias a desviar rotas pelo sul da África até a trégua mediada pelos EUA em outubro de 2025.

Além do petróleo, parte do gás natural liquefeito (GNL) e grande volume de comércio entre Oriente e Ocidente passam por Bab el-Mandeb, o que amplia os potenciais efeitos econômicos de um eventual bloqueio. A Arábia Saudita, por exemplo, tem usado esse corredor para escoar petróleo do porto de Yanbu, e também passam por ali exportações russas com destino à Ásia.

Se a passagem fosse bloqueada novamente, especialistas em logística e energia alertam para efeitos imediatos nos preços globais e no abastecimento, em um momento em que o mercado já sofre impacto devido à situação no Estreito de Ormuz.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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