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sexta-feira, outubro 16, 2026

Quartzo usado em bancadas vira centro de disputa judicial e política após casos de silicose

Transmissão: Record

Material comum em cozinhas é associado a doença pulmonar e gera processos e debate no Congresso dos EUA

O quartzo empregado em milhões de bancadas de cozinha nos Estados Unidos passou a ser alvo de uma intensa controvérsia após o aumento de casos de silicose entre trabalhadores que cortam e modelam as placas, segundo reportagem do jornal The New York Times citada pela imprensa. A polêmica levou a ações judiciais e a um projeto no Congresso que pode alterar a responsabilidade legal sobre o uso do material.

Placas de quartzo, alternativa ao mármore e ao granito, chegam a oficinas especializadas para serem cortadas, lixadas e acabadas. O processo libera uma poeira fina com sílica, mineral presente no quartzo, que, quando inalado, pode alojar-se nos pulmões e provocar inflamação e cicatrizes no tecido pulmonar. O resultado é a silicose, doença progressiva e sem cura.

Relatos pessoais citados na reportagem incluem Jeff Rose, de 55 anos, que trabalhou esculpindo bancadas em Georgetown, Kentucky, e hoje convive com a doença; seu filho, Skyler, de 30 anos, também foi diagnosticado. Wade Hanicker, de 39 anos, que atua no setor na Flórida há cerca de 15 anos, afirmou que muitos ateliês operavam com corte a seco, o que aumentava a exposição ao pó. A pneumologista Jane C. Fazio identificou, no pronto-socorro do Olive View-UCLA Medical Center, uma série de pacientes com histórico de trabalho com bancadas de pedra.

Dados do departamento de saúde pública da Califórnia, citados pelo The New York Times, apontam 512 casos de silicose ligados à pedra artificial e 29 mortes desde 2019. Paralelamente, processos contra fabricantes e distribuidores cresceram: em 2024, um júri em Los Angeles determinou o pagamento de US$ 52,4 milhões a um ex-trabalhador que processou empresas do setor.

A indústria alega que o quartzo é seguro quando manipulado adequadamente. Em audiência no Congresso, Rebecca Shult, diretora jurídica da fabricante Cambria, defendeu que o problema estaria nas práticas de algumas oficinas e não no produto em si. O projeto em discussão na Casa Legislativa poderia classificar o quartzo, para fins legais, em posição semelhante a produtos que recebem proteção federal contra certos processos — citando exemplos como vacinas e armas de fogo — e colocar maior ênfase na responsabilidade das oficinas e dos órgãos reguladores do trabalho.

Especialistas em saúde ocupacional ouvidos pelo jornal dizem que as normas vigentes podem ser insuficientes e que os padrões de exposição à sílica precisam ser revistos. O epidemiologista David Michaels, que chefiou a Administração de Segurança e Saúde Ocupacional dos EUA entre 2009 e 2017, afirmou ao Congresso que limites atuais podem estar desatualizados e que alternativas, como materiais à base de vidro reciclado, deveriam ser consideradas.

Enquanto o debate legislativo e judicial avança em Washington, trabalhadores afetados seguem lidando com complicações respiratórias e impactos na capacidade de trabalho.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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