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sexta-feira, outubro 23, 2026

Adolescentes na China recorrem a medicamentos controlados para “adormecer a mente” diante da pressão por exames

Quem e o que: Adolescentes na China têm usado medicamentos que exigem receita para tentar reduzir ansiedade e “adormecer a mente”, segundo depoimentos colhidos em salas de bate-papo e reportagens. Um caso relatado à BBC envolve “Xiaomei”*, aluna de 14 anos de uma província litorânea, que ingeriu em excesso um remédio para tosse vendido apenas com prescrição.

Onde e como: Mesmo com regras que exigem receita, os jovens relatam compra fácil pela internet e trocas de informações sobre dosagens em redes sociais. Xiaomei disse ter conseguido comprar o remédio em poucos cliques, inserindo apenas o número de identidade, e que pacotes com 50 comprimidos chegaram a custar menos de um dólar.

Efeitos e padrões de uso: Em doses altas, alguns desses fármacos provocam tontura, alucinações, perda de coordenação e comprometimento da memória. A jovem afirmou que, sob pressão para provas, passou a tomar diferentes medicamentos, às vezes cinco comprimidos ou mais de dez, buscando a sensação descrita por muitos como “euforia farmacêutica”. Em um episódio, ela ingeriu 50 comprimidos e precisou ser encaminhada ao hospital.

Ambiente e motivo: Especialistas apontam que a intensa pressão acadêmica e o sistema seletivo de turmas de alto desempenho elevam a ansiedade entre estudantes. O sociólogo Xiang Biao, do Instituto Max Planck de Antropologia Social, disse que muitos adolescentes vivem em ambientes de isolamento, passam longas horas na escola e carregam expectativas familiares, resultado também da política do filho único.

Acesso e reação das autoridades: Para conter o uso indevido, o governo chinês classificou há dois anos o remédio de tosse citado como psicotrópico, exigindo receita e dificultando sua venda online. Em abril deste ano, controles foram ampliados para outro medicamento observado entre jovens. Ainda assim, a BBC encontrou ofertas do produto em chats por cerca de 10 yuanes por grama. Um relatório de 2025 do Instituto de Prevenção de Crimes do Ministério da Justiça mostra que, quando uma substância é restringida, usuários rapidamente buscam alternativas e passam a usar nomes diferentes para driblar a fiscalização.

Dados e saúde mental: Embora dados oficiais de 2025 indiquem queda de 41% no número de novos consumidores de drogas entre menores de 35 anos, as autoridades reconheceram aumento no uso indevido de medicamentos controlados, especialmente entre menores. Um estudo de 2023 para o Livro Azul de Saúde Mental da China estimou cerca de 95 milhões de pessoas com depressão, sendo mais de 30% menores de 18 anos.

Resposta do sistema de saúde e educação: O governo anunciou medidas para ampliar o apoio psicológico: criação de salas de orientação em todas as escolas, serviços psiquiátricos em pelo menos um hospital por condado e aumento de profissionais com objetivo de um sistema nacional de atendimento até 2030. Segundo o Conselho de Estado, 92% das escolas primárias e 95% das escolas secundárias básicas já têm orientadores. No entanto, persiste uma grande escassez de psiquiatras pediátricos qualificados: estudo de 2020 na revista The Lancet apontou cerca de 500 especialistas no país, concentrados em grandes centros.

Casos de recuperação e ativismo: Xiaomei relatou que, após a overdose, seus pais ouviram e apoiaram sua recuperação, o que a ajudou a retomar o desempenho nos exames. Outro entrevistado, “Lu Jingchan”*, 22 anos, descreveu longa luta com depressão e dependência de medicamentos, incluindo quatro overdoses em quatro anos; hoje ele se dedica a campanhas nas redes sociais para desencorajar o uso e encorajar quem sofre a buscar ajuda.

Especialistas ouvidos pelas reportagens ressaltam que, além de políticas de controle de vendas, é essencial ampliar o diálogo familiar e os serviços de saúde mental para enfrentar o que classificam como uma crise entre os jovens.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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