Preço do petróleo sobe ao maior nível desde 2022 e provoca efeitos em cadeia
Os contratos do petróleo Brent chegaram brevemente a mais de US$ 126 por barril, atingindo a maior cotação desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022, e reacendendo preocupações econômicas internacionais. O aumento ocorreu em meio a relatos de que o Comando Central dos EUA (CENTCOM) teria preparado opções de ação militar contra o Irã, segundo o site Axios. A BBC procurou o Pentágono e a Casa Branca para comentários.
Especialistas consultados destacam que a alta do petróleo não afeta apenas os preços dos combustíveis, mas desencadeia um efeito em cadeia que alcança diversos setores da economia global.
Quem e o que: Analistas e autoridades internacionais. Segundo Naveen Das, analista sênior de petróleo da plataforma Kpler, a alta “tem um efeito indireto não apenas no petróleo, mas nos produtos relacionados ao petróleo, na inflação e basicamente em todos os fatores do nosso dia a dia”.
Quando e onde: A escalada de preços ocorreu esta semana, com o Brent atingindo mais de US$ 126 antes de recuar para cerca de US$ 116 nas negociações europeias. O estreito de Ormuz permanece, na prática, fechado, o que eleva os custos de combustível globalmente.
Como e por quê: O preço do petróleo sobe por preocupações com oferta, riscos geopolíticos e especulação. O petróleo bruto é insumo-chave para gasolina e diesel, o que faz com que altas no atacado se reflitam rapidamente nos preços ao consumidor.
Impactos práticos:
1. Produtos relacionados ficam mais caros: O petróleo é matéria-prima para fertilizantes, plásticos, embalagens, químicos e combustível de aviação. Susannah Streeter, estrategista-chefe de investimentos da Wealth Club, afirma que aumentos nos custos de fertilizantes já vêm sendo repassados na cadeia de suprimentos e podem sustentar preços elevados até o próximo ano. Ela destaca que embarques de ureia estão bloqueados, elevando os custos para agricultores que não estocaram insumos.
2. Transporte mais caro: À medida que combustíveis aumentam, frete e deslocamento sobem, e empresas tendem a repassar esses custos ao consumidor.
3. Pressão sobre a inflação: Custos de energia, operação industrial, transporte e alimentos sobem em conjunto, gerando inflação mais ampla e persistente. O economista André Perfeito, da consultoria APCE, observa que vários países já enfrentam esse cenário.
No Brasil, depois de um pico acima de 5% em meados de 2025, a inflação anual caiu gradualmente, ficando entre 4,3% e 4,4% no início de 2026, mas segue elevada. O Banco Central projeta que a inflação encerre o ano em 4,86%, influência atribuída ao conflito no Oriente Médio.
Medidas já observadas incluem elevação de tarifas aéreas por companhias que reajustaram preços ou cortaram rotas e decisões governamentais em países como Paquistão e Bangladesh, que chegaram a fechar escolas para economizar combustível. O Fundo Monetário Internacional alerta que uma escalada prolongada do conflito com o Irã pode desviar a economia global do rumo, elevando o risco de recessão, e recomenda cautela por parte dos bancos centrais ao responder à inflação.
Em declaração à BBC, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que uma “pequena dor econômica por semanas” poderia ser justificável se reduzisse o risco de o Irã desenvolver armas nucleares.
Antes do início dos ataques dos EUA e de Israel ao Irã, o petróleo Brent estava sendo negociado em torno de US$ 70 o barril, cerca de 80% abaixo do pico de quinta-feira.
Com informações de G1




