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sexta-feira, outubro 23, 2026

Alunas da EJA rasgam frases machistas em vídeo viral e pedem liberdade para estudar

Um vídeo que viralizou nesta semana mostra estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) rasgando frases de cunho machista como forma de denunciar barreiras à escolarização feminina e reivindicar o direito de estudar.

As imagens foram gravadas na Escola Figueiredo Correia, em Várzea Alegre (CE), durante uma atividade organizada para o Dia da Mulher. Na peça, as alunas destroem mensagens que refletem controle e violência psicológica, em representação às colegas que enfrentam esse tipo de opressão e por isso deixam de frequentar a escola.

A professora da turma, Lucivânia Alves, explicou que a iniciativa partiu da percepção de que muitas estudantes querem aprender, mas são impedidas por parceiros que não lhes permitem sair de casa ou seguir com os estudos. Segundo a docente, a ação teve como objetivo mostrar a educação como caminho para a autonomia.

Duas participantes do vídeo relataram ao G1 como a EJA alterou suas rotinas e aumentou a independência. Kelly Barreto dos Santos, 45 anos, que trabalha como pescadora, disse que, com apoio do marido, conseguiu reservar tempo à noite para frequentar as aulas. Ela afirmou que, quando começou, não conseguia decifrar palavras; agora lê e faz compras conferindo o troco.

Josefa Borges, 65 anos, contou que, por décadas, esteve ocupada com afazeres domésticos e não teve oportunidade de estudar quando jovem. Hoje, ela afirma ter aprendido a escrever mais do que o próprio nome e a lidar com contas e operações matemáticas que antes não dominava.

O caso ganha atenção em um momento de retração da EJA no país. Dados do Censo Escolar do Inep apontam redução de 734 turmas na modalidade em 2025 em comparação com 2024. No ensino médio da EJA, as matrículas caíram de 976.390 em 2024 para 845.627 em 2025, uma diferença de cerca de 130 mil estudantes.

O vídeo das alunas da EJA e as declarações das participantes refletem a tentativa da escola e da comunidade de evidenciar como práticas machistas interferem no acesso à educação para mulheres e de reforçar o papel da alfabetização e da educação de jovens e adultos na promoção da autonomia.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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