Alunos do curso de engenharia da computação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) apresentaram, na manhã de terça-feira (11 de março de 2026), um projeto de jogo de computador inspirado no caso Jeffrey Epstein. A proposta, exibida em sala de aula, tinha como protagonista uma menina de 15 anos que foi sequestrada e mantida em uma ilha por seis homens, e precisava escapar obtendo acesso a um barco e combustível.
O grupo responsável pela apresentação, composto exclusivamente por homens, chamou o jogo de “A fuga do Sid”, segundo relatos de colegas presentes. Conforme alunos que conversaram com o g1, cada um dos seis antagonistas do jogo possuía uma preferência específica que a personagem deveria explorar para conseguir sair da ilha — por exemplo, um vilão não aceitava pessoas que permaneciam rindo, o que exigia que a personagem modulasse suas expressões conforme o perfil de cada perseguidor.
Imagens da apresentação mostram que um dos slides incluía uma fotografia de Jeffrey Epstein. Epstein foi um financista americano conhecido por comandar um esquema de abuso e exploração sexual de menores; investigações indicam que ele atraía adolescentes, algumas com 14 anos. Ele foi preso em 2019, acusado de tráfico sexual de menores, e morreu na prisão enquanto aguardava julgamento.
De acordo com alunos ouvidos, a apresentação transcorreu até o fim sem interrupção por parte dos professores. “Houve apenas um comentário de que era um tema sensível, mas os alunos apresentaram e ainda ouviram risos da turma”, relatou um estudante que preferiu não se identificar.
Após a aula, o caso passou a ser debatido em um grupo de WhatsApp entre alunos da instituição. Em mensagens citadas por colegas, alunas repreenderam o teor do projeto, e a reação de alguns meninos incluiu o envio de uma figurinha com a imagem de Epstein. Em seguida, um dos integrantes do grupo reconheceu que a escolha da imagem e o rascunho da apresentação foram feitos de forma rápida e sem reflexão, e que não haviam considerado a conexão do material com a realidade.
O g1 procurou o ITA para manifestação, mas aguardava retorno até a publicação da reportagem.
Com informações de G1




