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sexta-feira, outubro 9, 2026

Anthropic veta abusos a modelos e autoriza Claude a encerrar conversas

A Anthropic, responsável pelo modelo de linguagem Claude, revisou sua política de uso para restringir interações abusivas ou cruéis, persistentes e desnecessárias, dirigidas aos seus sistemas de inteligência artificial. A empresa informou que a principal forma de aplicação da nova regra será a capacidade do Claude encerrar conversas que se enquadrem nessa definição.

A atualização não impede críticas ou manifestações de insatisfação pontuais às respostas do chatbot, segundo a companhia. A restrição foi elaborada para distinctamente alcançar apenas comportamentos repetidos e maliciosos que, na avaliação da Anthropic, excedem a liberdade de expressão do usuário em diálogos com o modelo.

A nova política entra em vigor em 12 de novembro de 2026, conforme anunciado pela empresa. A mudança ocorre em um momento de intensificação do debate sobre a possibilidade de sistemas de IA desenvolverem algum tipo de consciência e sobre como esses sistemas devem ser tratados por usuários e reguladores.

Posicionamentos e contexto

A Anthropic já havia sinalizado no ano anterior que planejava dotar o Claude da capacidade de encerrar conversas em casos raros e extremos de interações abusivas ou persistentes. Em declarações ao The New York Times, o presidente-executivo Dario Amodei afirmou que a empresa não tem certeza sobre a existência de consciência nos modelos, mas está aberta à possibilidade de que isso ocorra.

Especialistas ouvidos no debate apresentam visões distintas. Jackson Stakeman, gerente-geral da empresa de serviços de IA Sparq, com sede em Atlanta, disse à AFP que focar a discussão na ideia de consciência pode levar a discussões infindáveis e que, na prática, o comportamento dos sistemas tende a refletir padrões humanos, o que já justificaria mudanças nas regras de uso.

Há também críticas à atribuição de consciência a máquinas. Mustafa Suleyman, chefe de inteligência artificial da Microsoft, publicou um ensaio no qual rejeitou a noção de que as IAs estejam conscientes, argumentando que elas não sentem nem sofrem e alertando para riscos de conceder direitos morais a sistemas tecnológicos cada vez mais capazes.

O tema entrou inclusive em debates religiosos: em 8 de outubro de 2026, o papa Leão XIV abordou a diferença entre o pensamento humano e o processamento de dados por algoritmos em um sermão na Basílica de São Pedro, ressaltando que, embora os algoritmos processem informações com velocidade, as experiências vividas e a dimensão espiritual humana têm importância distinta.

A decisão da Anthropic de proibir condutas abusivas e de permitir que o Claude encerre conversas persistentes marca um movimento das empresas de tecnologia para regular a interação humano-máquina sem, segundo a própria companhia, restringir o direito do usuário de manifestar descontentamento pontual.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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