A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ampliou o registro do medicamento Datroway, que passa a ser uma opção de tratamento no Brasil para pacientes com câncer de pulmão avançado. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (27).
Quem pode receber o medicamento
O Datroway agora está indicado para adultos com câncer de pulmão de não pequenas células em estágio localmente avançado ou metastático — ou seja, quando há espalhamento do tumor para outros órgãos — desde que apresentem mutação no gene do receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR). A prescrição é destinada a pacientes que já foram submetidos a terapia específica para essa mutação e a quimioterapia à base de platina sem obter resposta satisfatória.
Como age no organismo
Diferente da quimioterapia convencional, o Datroway atua de maneira direcionada: liga-se à proteína TROP2, muito presente nas células tumorais, e entrega uma molécula capaz de danificar o DNA dessas células, levando-as à morte. O produto é comercializado em pó liofilizado, que deve ser reconstituído em água para uso injetável. A administração é intravenosa, normalmente a cada três semanas, em ciclos de 21 dias, sempre sob supervisão médica.
Histórico de registro
O medicamento já tinha registro no Brasil para outro uso: tratamento de mulheres adultas com câncer de mama irressecável ou metastático, com receptor hormonal positivo e HER2 negativo, que já haviam recebido terapia endócrina e pelo menos uma linha de quimioterapia. A ampliação do registro foi feita pelo laboratório Daiichi Sankyo Brasil Farmacêutica.
Efeitos colaterais e recomendações
Como outros agentes oncológicos, o Datroway pode provocar reações adversas que exigem acompanhamento clínico. Entre os eventos mais relatados estão náusea, queda de cabelo, fadiga, redução dos glóbulos vermelhos e brancos e alterações nos exames de função hepática. Também foram observados problemas pulmonares, complicações oculares e lesões na cavidade oral. Pacientes recebem orientações específicas, como uso de colírios lubrificantes e bochechos para minimizar efeitos bucais.
O medicamento é contraindicado para gestantes e lactantes e pode comprometer a fertilidade de homens e mulheres. Informações detalhadas sobre reações adversas constam no material do produto disponível no site do fabricante.
Com a nova indicação, equipes médicas brasileiras contam com mais uma alternativa terapêutica para tratar pessoas com câncer de pulmão que não responderam a abordagens anteriores, ampliando as opções disponíveis para esses casos.
Com informações de Paranaibamais




