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quarta-feira, outubro 14, 2026

Argentina provoca queda nas exportações de veículos fabricados no Brasil

Exportações brasileiras de veículos recuam no início de 2026

A indústria automobilística do Brasil começou 2026 com redução nas vendas externas, influenciada pela diminuição da demanda da Argentina, que vinha sendo o principal destino dos embarques. No primeiro bimestre do ano, o país exportou 59,4 mil veículos, ante 82,4 mil no mesmo período de 2025, uma queda de 28%.

O resultado foi parcialmente compensado por um aumento inesperado das vendas para o México. Em fevereiro, os embarques ao mercado mexicano saltaram de 2,2 mil para 9,1 mil unidades.

A Argentina, historicamente o maior comprador de veículos produzidos no Brasil, apresentou retração nas compras entre janeiro e fevereiro: os embarques caíram de 15,6 mil para 14,4 mil unidades, recuo de 7,5%. Em 2025, o país vizinho havia recebido 59% de todas as exportações brasileiras do setor, totalizando 302 mil dos 528 mil veículos embarcados.

Dados da Abeceb, consultoria argentina, apontam redução nas importações argentinas de produtos brasileiros em fevereiro, com queda de 26,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior. As compras do país somaram US$ 1,057 bilhão, marcando o maior recuo desde julho de 2024. Segundo a consultoria, a diminuição foi fortemente influenciada pelo setor automotivo: houve uma redução de US$ 284 milhões nas importações do segmento, que respondeu por 74% do impacto total.

No detalhamento por segmentos, a Abeceb identificou a maior queda nas importações de caminhões, com retração de 64,3% frente a fevereiro de 2025. Comercial leves recuaram 51,4%, automóveis caíram 43,6% e peças e acessórios diminuíram 30,9%.

O encolhimento nas compras de componentes produzidos no Brasil indica redução no ritmo de produção nas fábricas argentinas, reflexo do desaquecimento do mercado doméstico diante de incertezas sobre a capacidade do governo de Javier Milei em controlar a inflação e honrar a dívida externa.

No Brasil, a queda nas exportações teve efeito sobre a produção: entre janeiro e fevereiro, foram fabricados 338 mil veículos, recuo de 8,9% em relação ao mesmo período de 2025. As vendas no mercado interno se mantiveram mais estáveis, com 355,7 mil unidades comercializadas nos dois primeiros meses do ano, leve queda de 0,1%.

A presença de marcas chinesas segue em crescimento no mercado doméstico. No segmento de veículos de carga, apesar de programas de financiamento com juros menores, como o Move Brasil, as vendas caíram 28,7% no primeiro bimestre e a produção dos caminhões caiu 27% em relação ao mesmo período do ano anterior. Analistas do setor também ressaltam que as tensões no Oriente Médio vêm influenciando decisões de compra de transportadores, à medida que os conflitos afetam o fornecimento de petróleo e pressionam preços do diesel e do frete.

Toyota Hiace sendo montado em Zárate, na Argentina, ilustra fábricas locais que vêm sendo impactadas pela redução das importações.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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