A arrecadação do governo federal somou R$ 239,4 bilhões em setembro de 2026, segundo dados divulgados pela Receita Federal nesta quinta-feira (22). O montante representa alta real de 5,6% em relação ao mesmo mês de 2025, quando a receita, já corrigida pela inflação, havia sido de R$ 226,6 bilhões.
Trata-se do maior valor para o mês de setembro desde o início da série histórica da Receita, em 1995 — um período de 32 anos. A elevação nas receitas é vinculada ao crescimento da economia, às mudanças na estrutura tributária promovidas nos últimos anos e ao aumento dos preços do petróleo.
Medidas tributárias e fatores que influenciaram a alta
Entre as medidas citadas que ajudaram a elevar a arrecadação estão alterações feitas no terceiro mandato do presidente Lula: elevação da tributação sobre fundos exclusivos destinados a alta renda e sobre contas no exterior (“offshores”); revisão das regras de tributação de incentivos e subvenções estaduais; aumento de tributos sobre combustíveis implementado em 2023 e mantido posteriormente; reoneração gradual da folha de pagamento; encerramento de benefícios fiscais ao setor de eventos (Perse); majoração do IOF sobre operações de crédito e de câmbio; e aumento da tributação sobre juros sobre capital próprio.
O aumento do preço do petróleo, atribuído em parte ao conflito entre Estados Unidos e Irã, também elevou receitas relacionadas ao setor, como royalties e participações na produção. Além disso, o Executivo instituiu uma taxação adicional sobre exportações, que contribuiu para o resultado.
Parcial do ano e meta fiscal
No acumulado de janeiro a setembro de 2026, a arrecadação federal totalizou R$ 2,35 trilhões sem correção. Considerando a atualização pelo índice de preços, o total foi de R$ 2,38 trilhões no período, o que indica crescimento real de 7% ante os R$ 2,23 trilhões registrados nos nove primeiros meses de 2025. Esse montante também representa o maior valor para o período.
O governo aposta no aumento da arrecadação para tentar cumprir a meta fiscal de 2026, fixada em um superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto — cerca de R$ 34,3 bilhões. Pelo arcabouço fiscal aprovado em 2023, existe uma faixa de tolerância de 0,25 ponto percentual, o que permite que a meta seja considerada atendida se o resultado ficar em zero ou em até R$ 68,6 bilhões de superávit.
O texto do arcabouço também autoriza a exclusão de R$ 57,8 bilhões em despesas do cálculo do resultado primário, recursos que podem ser usados, por exemplo, para o pagamento de precatórios. Na prática, segundo o cenário considerado pelo Executivo, a projeção aponta para um déficit real de R$ 23,3 bilhões em 2026 mesmo que, na contabilidade oficial da meta, o governo apresente resultado positivo. Se confirmados esses números, as contas públicas permaneceriam negativas ao longo de todo o terceiro mandato do presidente Lula.
O recorde na arrecadação foi influenciado, também, pela maior tributação incidente sobre o petróleo, cujo preço está em elevação.
Com informações de G1




