A Azul informou que intensificará cortes na oferta de voos em resposta ao aumento do preço do querosene de aviação, pressionado pela guerra no Irã. O presidente-executivo da companhia, John Rodgerson, afirmou à Reuters que a empresa seguirá reduzindo frequências para preservar caixa enquanto o cenário de custos permanecer incerto.
Rodgerson explicou que as maiores aéreas já vêm ajustando capacidade para alinhá-la à demanda diante de custos mais elevados e que a Azul adotará medidas adicionais além das já implementadas, caso o conflito no Oriente Médio continue. Segundo ele, os cortes iniciais foram feitos na expectativa de que a guerra terminasse, mas como isso não ocorreu a empresa seguirá removendo voos de forma “oportuna” — isto é, priorizando rotas e frequências que façam sentido financeiramente.
A maior parte dos ajustes ocorridos no segundo trimestre concentrou-se em trechos internacionais, enquanto novos ajustes estão sendo feitos em frequências domésticas em vez de suspender por completo a operação em cidades, detalhou o executivo. Como exemplo, Rodgerson citou a possibilidade de reduzir voos em destinos como Curitiba de seis para quatro frequências diárias, dependendo do impacto do preço do combustível.
A Azul tem focalizado a manutenção de operações em seus principais hubs, em Campinas, Belo Horizonte e Recife, acrescentou o CEO. Ele ressaltou também que a reestruturação da dívida deixou a empresa em posição relativamente mais sólida do que alguns concorrentes para enfrentar o aumento dos custos. A companhia saiu do processo do Capítulo 11 em fevereiro, com apoio da United Airlines e da American Airlines.
Rodgerson afirmou que espera pressão nos preços do combustível ao longo do segundo trimestre, historicamente o período mais fraco da demanda, mas que enxerga espaço para tarifas mais elevadas se a procura recuperar no terceiro e quarto trimestres.
No fim de maio, o governo renovou subsídios ao querosene de aviação. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) estima que o QAV passou a responder por cerca de 45% do custo operacional das companhias. Em 1º de junho, a Petrobras anunciou redução média de 14,2% no preço de venda do querosene de aviação (QAV) às distribuidoras, o que corresponde a uma queda de R$ 0,93 por litro em relação ao mês anterior.
Imagem: avião da Azul no aeroporto de Fernando de Noronha (PE)
Com informações de G1




