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domingo, outubro 25, 2026

Baixo desempenho em Matemática na Prova Nacional Docente 2025 aponta fragilidades na formação de professores

O Ministério da Educação divulgou nesta semana os resultados da Prova Nacional Docente aplicada em 2025, que evidenciam desempenho significativamente inferior dos professores de Matemática em comparação a outras áreas. Enquanto a área de Ciências Humanas registrou 80,2% de profissionais considerados proficientes, a Matemática alcançou apenas 45% dos participantes.

Para Kátia Smole, presidente do Instituto Reúna e ex-secretária de Educação Básica do MEC, o quadro foi agravado pelo período pós-pandemia, que deixou lacunas na formação de quem ingressa nas licenciaturas. Segundo ela, muitos estudantes que entram nos cursos de formação docente chegam com notas mais baixas no Enem e não há clareza sobre o suporte recebido para recuperar defasagens trazidas da educação básica.

Smole aponta como problema recorrente a separação entre o conhecimento matemático e o conhecimento pedagógico dentro dos cursos de licenciatura. A avaliação, diz a especialista, busca justamente medir a integração desses dois aspectos: o domínio de Conteúdos como Cálculo, Álgebra e Geometria e a capacidade de ensinar esses temas em sala de aula. Em muitos casos, o futuro professor aprende os conteúdos e, separadamente, disciplinas como Didática e Psicologia, sem a formação necessária para articular essas dimensões na prática pedagógica.

Em 2025, o Ministério também promoveu a Escuta Nacional de Professores e Professoras que Ensinam Matemática para identificar as dificuldades enfrentadas em sala de aula. O levantamento revelou que apenas 35% dos docentes dos Anos Finais e do Ensino Médio afirmam ter recebido formação aprofundada voltada à recomposição das aprendizagens em Matemática. Nos Anos Iniciais, esse percentual é inferior a 25%.

Os resultados da escuta indicam ainda que um terço dos professores dos Anos Iniciais se declara pouco ou nada preparado para realizar avaliações em Matemática. Para Smole, essa percepção de fragilidade na formação inicial repercute diretamente na prática pedagógica: muitos docentes dominam procedimentos, mas têm dificuldade para interpretar o raciocínio dos estudantes, identificar a origem dos erros e adaptar explicações quando a turma não compreende.

Outro aspecto destacado é a presença da ansiedade matemática entre estudantes e a insegurança de parte dos professores, que pode reforçar práticas mais mecânicas e menos investigativas. A especialista defende que o enfrentamento da questão requer articulação sistêmica entre currículo, avaliação, formação de professores, materiais didáticos e práticas pedagógicas, com coordenação e apoio financeiro da União e implementação por estados e municípios.

Em 2025, o Governo Federal lançou a Política Nacional Toda Matemática, com o objetivo de garantir o direito à aprendizagem de qualidade na educação básica e apoiar a recomposição das aprendizagens desde os anos iniciais. Kátia Smole ressalta que os efeitos da política não serão imediatos, mas considera importante que o país comece a tratar a aprendizagem matemática como uma agenda estratégica de longo prazo.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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