TRANSMISSÃO: Record | Band
Resumo do mandato
Fernando Haddad, ministro da Fazenda, acumulou resultados econômicos melhores que as projeções do mercado nos últimos anos, mas enfrentou dificuldades para conter a expansão dos gastos públicos e estabilizar a trajetória da dívida. Em pouco mais de três anos no cargo, sua gestão é avaliada por especialistas como marcada por crescimento do PIB, inflação sob controle e mercado de trabalho mais aquecido, ao mesmo tempo em que houve revisão de metas fiscais e aumento do endividamento.
O que mudou nas contas públicas
O déficit fiscal registrado em 2023 foi de R$ 249 bilhões. No ano seguinte, o rombo caiu para R$ 47,6 bilhões, redução superior a 80%. Apesar da melhora, problemas orçamentários, cortes insuficientes e autorizações de despesas fora da meta reduziram a confiança do mercado. Em abril de 2024, a proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) alterou metas de superávit, adiando a previsão de resultado positivo de 2025 para 2026, o que abriu espaço para maior gasto público.
Arrecadação, medidas e obstáculos
Haddad adotou medidas para aumentar a arrecadação, como o aumento do IOF e a chamada “taxa das blusinhas”, que passou a tributar com 20% importações de até US$ 50. Em novembro de 2024, anunciou um pacote de medidas com economia esperada de R$ 70 bilhões em dois anos, mas no mesmo dia o governo elevou a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, ação vista como ampliação de despesas. Especialistas citam também dificuldades de avanço de propostas no Congresso.
Dívida e projeções
Dados do Banco Central mostram que a dívida bruta do governo em relação ao PIB subiu cerca de sete pontos percentuais desde o início do mandato de Haddad, atingindo 78,66%. O Tesouro Nacional prevê que a dívida chegue a 83,6% do PIB neste ano.
Reforma tributária e avaliação técnica
Entre os méritos apontados ao ministro está a aprovação, em dezembro de 2023, da reforma tributária que criou um imposto sobre valor agregado (IVA), definiu uma cesta básica nacional isenta e instituiu o Imposto Seletivo. Para especialistas ouvidos, a medida é um avanço complexo e positivo, embora ainda faltem etapas, como discussões sobre tributação da renda e revisão de desonerações.
Atividade econômica e mercado de trabalho
O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,3% em 2025, marcando o quinto ano consecutivo de expansão. A Selic está em 15% ao ano desde junho de 2025, política apontada como responsável por conter a inflação, apesar de frear parte do consumo. Em 2025, a taxa média de desemprego ficou em 5,6%, o menor nível desde 2012, e o rendimento médio real das pessoas ocupadas foi estimado em R$ 3.560, alta de 5,7% em relação a 2024.
Especialistas destacam que, apesar do desempenho macroeconômico favorável em indicadores como PIB, inflação e emprego, a persistência de despesas obrigatórias crescentes e a incapacidade de consolidar um caminho fiscal claro permanecem como pontos centrais no balanço da gestão de Haddad à frente do Ministério da Fazenda.
Com informações de G1




