O Relatório de Estabilidade Financeira (REF) do Banco Central, referente ao primeiro semestre deste ano, indica que as instituições financeiras veem o “risco fiscal” e a alta da inadimplência como as maiores ameaças à estabilidade do sistema financeiro.
No conceito do BC, o risco fiscal está associado aos déficits sucessivos nas contas públicas e à evolução da dívida do governo. A alta da inadimplência, por sua vez, tem sido registrada em patamares recordes, em um contexto marcado por juros elevados.
Em pesquisa realizada com bancos e outras instituições financeiras, os termos mais citados ao definir os principais riscos foram “inadimplência”, “juros” e “inflação”. Respondentes também apontaram preocupação com a volatilidade dos mercados e com a situação das contas públicas.
O documento relaciona os riscos levantados à expectativa de desaceleração da atividade econômica, às incertezas sobre a sustentabilidade da dívida pública e ao elevado endividamento de famílias e empresas.
O relatório foi divulgado após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25), vencido por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito para governar até 2030. O resultado provocou forte volatilidade nos mercados: o Ibovespa caiu mais de 10% nos primeiros minutos de negociação, levando ao acionamento do circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações para evitar movimentos excessivamente desordenados. Ao mesmo tempo, o dólar subiu 8,21% na segunda-feira, encerrando o dia cotado a R$ 5,40, ante R$ 4,99 na sexta-feira (23).
Analistas citados no contexto do relatório afirmam que déficits fiscais persistentes elevam os juros e, consequentemente, encarecem a dívida pública. Entre os fatores que pressionaram as contas públicas nos últimos anos estão o aumento de gastos governamentais e o reconhecimento de dívidas de gestões anteriores, como os precatórios.
Além das incertezas internas, o documento menciona riscos externos, como a guerra no Oriente Médio, que afeta preços do petróleo e pressiona a inflação.
Apesar desses apontamentos, o Banco Central avaliou que não há “risco relevante” para a estabilidade financeira do país. Segundo o BC, o sistema financeiro nacional mantém níveis confortáveis de capitalização e liquidez, além de provisões compatíveis com as perdas esperadas. Testes de estresse de capital e liquidez, informou a autoridade, corroboram a robustez do sistema bancário.
Com informações de G1




