Banco Central diz fiscalizar liquidez e balanços diariamente e rejeita prazo para o BRB
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (25) que a autoridade monitora diariamente as instituições financeiras em aspectos relacionados ao balanço — o equilíbrio entre direitos e obrigações — e à liquidez — a capacidade de honrar compromissos. Questionado sobre um suposto prazo final para que o Banco Regional de Brasília (BRB) corrigisse problemas decorrentes de operações irregulares com o Banco Master, liquidado no fim do ano passado, Galípolo negou que o BC tenha determinado 29 de maio como data-limite para ajustes.
Segundo o presidente do BC, desvios cometidos por gestores não são punidos diretamente pela autoridade monetária; cabe ao banco central, quando identificar indícios, encaminhar as evidências à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, que decidirão sobre a abertura de investigações e eventual envio de resultados à Justiça. Galípolo ressaltou ainda que há equívoco em entender que o BC possa usar a data de liquidação como instrumento punitivo: a instituição, em muitos casos, atua como vítima e tem o dever de buscar soluções para preservar os bancos, considerando sempre as condições de liquidez. Para ele, impor um prazo sem levar em conta esses fatores poderia ser ineficaz, pois, se as condições de liquidez não existirem, a liquidação seria inevitável.
O BRB descumpriu o prazo legal para entrega do balanço consolidado de 2025, cujo prazo final ao Banco Central venceu em 31 de março. Em comunicado aos acionistas e ao mercado, o banco estatal informou que postergaria a divulgação por necessidade de concluir uma auditoria forense relacionada à operação denominada “Compliance Zero” e para que a administração e o auditor independente avaliassem adequadamente os potenciais impactos.
Galípolo afirmou que as multas previstas em razão da não entrega do balanço estão sendo aplicadas. A falta do documento motivou a agência de classificação Moody’s a rebaixar a nota do BRB, apontando risco de calote e a provável necessidade de injeção de capital. A agência também destacou que o não cumprimento do prazo aumenta a incerteza sobre a situação financeira atual do banco e sua capacidade de gerar novos negócios.
Após o descumprimento, o próprio BRB declarou que apresentaria o balanço em 29 de maio e disse que naquele mês o governo do Distrito Federal apresentaria medidas para recompor o patrimônio da instituição. Parlamentar Celina Leão declarou que decisões internas no BRB podem ter motivado críticas do governador Ibaneis Rocha.
O BC mantém, de acordo com Galípolo, o acompanhamento diário das instituições enquanto avalia liquidez e balanços, sem estabelecer prazos punitivos que desconsiderem as condições financeiras das entidades.
Com informações de G1




