O Brasil organiza ampla operação humanitária à Venezuela, com dois voos previstos para levar equipes técnicas, bombeiros e suprimentos médicos após os terremotos que atingiram o país e deixaram 188 mortos e mais de 1,5 mil pessoas hospitalizadas, conforme dados do presidente do Congresso Nacional venezuelano, Jorge Rodríguez.
Uma aeronave KC-390 da Força Aérea Brasileira partirá na sexta-feira (26) do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, transportando 44 profissionais e nove toneladas de equipamentos para ações de busca e resgate. A comitiva inclui 36 bombeiros militares dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, quatro técnicos da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil e quatro especialistas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais ainda não informou quais unidades serão mobilizadas.
Segundo o governo, a participação da Anatel será estratégica: os técnicos levarão analisadores de espectro e antenas direcionais de alta sensibilidade capazes de captar sinais de celulares soterrados sob escombros, recurso que pode ser decisivo para localizar sobreviventes. As equipes também contarão com médicos e cães farejadores.
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), já está atuando na resposta ao desastre. O chefe da OPAS, Jarbas Barbosa, informou que o Centro de Operações de Emergência em Washington coordena esforços com a ONU e parceiros para atender às necessidades mais urgentes.
Segundo voo e apoio internacional
Um segundo voo está programado para sábado (27) e levará um hospital de campanha completo, equipe médica, medicamentos e insumos cirúrgicos. Também serão enviados 100 purificadores de água com painel solar, cada unidade com capacidade de produzir até 5 mil litros de água por dia, que serão doados à Defesa Civil venezuelana.
O envio de ajuda foi oferecido pelo Governo Federal após contato com a presidenta encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez. Em declaração pública, o presidente afirmou: “Seguiremos acompanhando o desenvolvimento dos trabalhos de socorro às vítimas para prestar todo o apoio necessário aos nossos irmãos venezuelanos.” O Ministério da Saúde informou que já mantinha diálogo com autoridades venezuelanas para viabilizar o envio de pessoal e insumos de saúde antes do anúncio oficial.
No âmbito internacional, os Estados Unidos anunciaram o envio de equipes de busca e resgate e suprimentos médicos; a França mobilizou 85 socorristas especializados; a União Europeia ativou o sistema de monitoramento por satélite Copernicus para avaliar danos; e a China sinalizou disposição para contribuir conforme as necessidades venezuelanas.
Os tremores, de magnitudes 7,5 e 7,2, ocorreram na noite de quarta-feira (24) e foram seguidos por cerca de 20 réplicas. O epicentro concentrado no litoral de Morón, no estado de La Guaira — cerca de 160 quilômetros de Caracas — provocou desabamentos de prédios residenciais e comerciais e causou danos estruturais graves no Aeroporto Internacional de Maiquetía, que teve suas operações suspensas. Desabamentos também foram registrados em Caracas, levando a presidenta encarregada a decretar estado de emergência nacional e a solicitar ajuda internacional.
Enquanto os números oficiais apontam 188 mortos e mais de 1,5 mil hospitalizados, levantamento extraoficial do site Desaparecidos Terremoto Venezuela registrava mais de 40 mil pessoas desaparecidas até a última atualização, sinalizando possível discrepância entre dados governamentais e registros independentes.
A mobilização brasileira integra o esforço internacional em curso, com países e organismos multilaterais anunciando envio de equipes e suprimentos às autoridades venezuelanas.
Com informações de Paranaibamais




