Gasto por aluno nos anos iniciais
O Brasil desembolsa US$ 5.000 por ano para cada estudante da rede pública nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano), segundo o relatório “Education at a Glance 2026”, divulgado em 29 de setembro com base em dados de 2023. Esse montante representa menos de 40% da média dos países da OCDE, que é de US$ 13.400 por aluno.
Ricardo Henriques, superintendente-executivo do Instituto Unibanco, afirmou que “para o Brasil, estar abaixo da média da OCDE significa ter menos recursos por estudante para enfrentar desafios que são muitas vezes maiores do que os desses outros países”.
Posição no ranking e comparação internacional
No ranking da OCDE para os anos iniciais do ensino fundamental, o Brasil aparece em 38º lugar entre 44 países. Apenas seis nações investem menos por aluno: Turquia (US$ 4.350), Colômbia (US$ 4.279), China (US$ 4.112), Romênia (US$ 3.709), África do Sul (US$ 3.141) e México (US$ 2.703). No topo do ranking está Luxemburgo, com gasto de US$ 32.289 por estudante. Também constam entre os maiores investimentos por aluno a Suíça (US$ 21.890), Islândia (US$ 21.220) e Noruega (US$ 19.424).
Outras etapas da educação básica
O documento traz ainda comparações para outras faixas etárias. Nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), o gasto por aluno no Brasil é de US$ 5.191, contra a média do G20 de US$ 10.890 e a média da OCDE de US$ 14.830. No ensino médio, o valor brasileiro é de US$ 5.711 por estudante, enquanto a média do G20 chega a US$ 12.160 e a da OCDE a US$ 14.099.
Percentual do PIB destinado à educação
O relatório também analisa a parcela do Produto Interno Bruto dedicada à educação. Para os anos finais do ensino fundamental, o Brasil destinou 1,23% do PIB, acima da média da OCDE (0,74%) e da média do G20 (0,73%). Entre países citados na comparação estão a Finlândia (1,15%), os Estados Unidos (0,82%) e Luxemburgo (0,75%).
Ernesto Martins Faria, diretor-fundador do Iede, observou que “o investimento em relação ao PIB demonstra o esforço que o país está fazendo em relação à educação. Há um mérito nisso. Mas usar esse indicador para argumentar que o Brasil investe muito em educação não é adequado”.
Nelson Amaral, da Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação (Fineduca), aponta que “o percentual do PIB significa apenas o esforço que o país está realizando com relação à educação de sua população. O valor aplicado por estudante é que nos permite comparar as condições ofertadas pelos países para a educação em todos os seus níveis, etapas e modalidades”.
O relatório destaca ainda que o Brasil tem, em relação à população, mais estudantes na educação básica do que a maioria dos membros da OCDE, o que implica que o orçamento precisa ser dividido entre um número maior de alunos. Especialistas citados pelo estudo ressaltam que ambos os indicadores — percentual do PIB e gasto por estudante — são necessários para compreender diferentes aspectos do financiamento educacional e que a eficiência na gestão dos recursos é essencial para transformar gastos em melhores condições escolares.
Com informações de G1




