Resumo: Embora o Brasil tenha liderado o ranking acadêmico da América Latina de 2014 a 2026, 45 universidades brasileiras registraram queda nas posições globais e 87% das instituições do país apresentaram recuo em 2026, segundo a série histórica do Center for World University Rankings (CWUR) analisada pelo G1.
Quem e o que
O levantamento aponta que universidades como a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foram fundamentais para a manutenção da liderança regional ao longo dos últimos 12 anos. Apesar disso, a maioria das instituições brasileiras perdeu competitividade no cenário internacional.
Quando e onde
Os dados cobrem o período de 2014 a 2026, com o recorte global do CWUR usado para avaliar a posição das universidades brasileiras em relação ao mundo e à América Latina.
Trajetória da USP
A USP permaneceu como principal referência do país durante toda a série histórica. Em 2014, a universidade paulista aparecia na 131ª posição global. Seu melhor desempenho ocorreu entre 2018 e 2019, quando alcançou a 77ª colocação mundial. Entre 2020 e 2024, a USP ficou fora do Top 100, oscilando entre as posições 103 e 117. As edições de 2025 e 2026 mostraram novo recuo: 118º em 2025 e 119º em 2026.
O CWUR aponta que a USP teve perdas em indicadores como qualidade da educação, empregabilidade, corpo docente e pesquisa. Sobre o fenômeno, o Dr. Nadim Mahassen, presidente da organização, afirmou que o movimento é consequência de “anos de financiamento inadequado e a desvalorização da ciência e da educação como bens públicos”. Mesmo com a queda recente, a USP fechou a série de 12 anos com um saldo positivo de 12 posições em relação a 2014.
Posição do Brasil na região
Em 2014, três das cinco melhores universidades da América Latina eram brasileiras: USP (131ª), UFRJ (329ª) e Unicamp (437ª). Em 2026, o país manteve três vagas entre as cinco melhores da região e ampliou sua presença entre as 2.000 melhores do mundo: enquanto em 2014 havia cerca de 18 instituições brasileiras no Top 1.000, em 2026 o Brasil contabilizou 52 universidades listadas entre as 2.000 melhores, incluindo centros especializados como Fiocruz, IMPA e ITA.
Concorrência regional
A principal ameaça à hegemonia brasileira veio do México, com a Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) subindo de 337ª em 2014 para 287ª em 2026, tornando-se a segunda melhor da América Latina e reduzindo a distância para UFRJ (346ª em 2026) e Unicamp (379ª em 2026). A Universidade de Buenos Aires (UBA) manteve presença constante, passando de 378ª em 2014 para 354ª em 2026.
Cenário global
No plano mundial, o Top 10 continuou dominado por instituições dos Estados Unidos e do Reino Unido, com a Universidade de Harvard ocupando o primeiro lugar em todos os anos da série, com pontuação máxima de 100. Houve, porém, mudanças internas: a Universidade da Pensilvânia (Penn) consolidou-se em 7ª em 2026, e Princeton subiu da 9ª posição em 2014 para a 6ª em 2026.
Uma tendência relevante é a ascensão das universidades chinesas: em 2026 a China superou os Estados Unidos no número de instituições no ranking (360 contra 313), e 98% das universidades chinesas avançaram de posição. Ao mesmo tempo, alguns centros tradicionais recuaram, como a Universidade de Tóquio, que caiu de 13ª em 2014 para 16ª em 2026.
O conjunto de dados sugere que, enquanto o Brasil consolidou e ampliou sua presença regional entre 2014 e 2026, o país enfrenta dificuldades para manter ou melhorar posições no topo da lista global, em especial diante de competidores que receberam investimentos públicos contínuos.
Com informações de G1




